Quem vai julgar o irmão e filho de Lula, e a esposa de Alexandre de Moraes?
Sóstenes Cavalcante cobra investigação sobre Lulinha, Frei Chico e contrato milionário de Viviane Moraes ao denunciar seletividade da PF contra oposição
Em meio a um clima de intensa polarização política, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), questionou duramente a seletividade das investigações da Polícia Federal durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (19), um dia após ser alvo de operação policial. Ao defender sua inocência em acusações de irregularidades com cotas parlamentares, o parlamentar cobrou: "Quem vai investigar e julgar o filho de Lula, o irmão de Lula e a esposa do ministro Alexandre de Moraes?"
A declaração de Sóstenes refere-se diretamente a suspeitas que envolvem figuras próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado alegou que, enquanto opositores conservadores enfrentam ações policiais rigorosas, casos envolvendo aliados do governo ou familiares de autoridades do Judiciário permanecem sem aprofundamento equivalente, configurando o que chamou de "perseguição seletiva".
No centro das críticas está Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Ele tem sido citado em investigações sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conhecidas como "Farra do INSS" ou operação "Sem Desconto". Depoimentos e relatórios da PF apontam para supostos repasses de valores significativos – incluindo uma "mesada" de R$ 300 mil mensais e até R$ 25 milhões – feitos por Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", principal articulador do esquema preso desde setembro. Parte desses recursos teria ido para uma lobista amiga próxima de Lulinha, Roberta Luchsinger. Apesar das menções em decisões do STF e na CPMI do INSS, requerimentos para convocação ou quebra de sigilos do filho de Lula foram rejeitados pela base governista na comissão.
Sóstenes também mencionou o irmão do presidente, Frei Chico (Genuíno Lula da Silva), citado em contextos semelhantes na CPMI, e reforçou a cobrança por investigações equilibradas. O presidente Lula, em café da manhã com jornalistas na quinta-feira (18), afirmou que "se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado", defendendo a autonomia da PF e negando qualquer blindagem.
Outro ponto levantado pelo deputado foi o contrato milionário envolvendo Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A PF identificou um acordo de R$ 129 milhões entre o escritório de advocacia dela e o Banco Master, investigado por fraudes e cujo proprietário foi preso. Pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões estavam previstos por três anos. Apesar das descobertas em operações policiais, opositores questionam por que o caso não avança com a mesma intensidade de outras investigações.
A oposição, liderada por figuras como Sóstenes, Rogério Marinho (PL-RN) e o pastor Silas Malafaia – que também criticou publicamente Lula e Moraes –, acusa o governo e instituições de seletividade para proteger aliados e perseguir conservadores. Do outro lado, o governo argumenta que as fraudes no INSS começaram em gestões anteriores e que as apurações seguem independentes, com exonerações e prisões já realizadas, incluindo figuras ligadas ao Planalto.
O episódio reforça as tensões entre Executivo, Legislativo e Judiciário às vésperas de 2026, com a oposição prometendo intensificar cobranças na CPMI do INSS e em outras frentes. "Vamos atrás do 'filho do cara'", afirmou Sóstenes, em referência velada a Lulinha. O debate sobre imparcialidade nas investigações deve dominar o cenário político nos próximos meses, alimentando narrativas de ambos os lados sobre justiça seletiva e abuso de poder.
