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Publicado: 22 de dezembro de 2025 às 14:21

Comercial da Havaianas com Fernanda Torres divide direita e esquerda em ano eleitoral

Frase "não comece 2026 com o pé direito" é interpretada como provocação ideológica; boicotes da oposição contrastam com memes e ironias progressistas

Uma campanha publicitária de fim de ano da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, gerou intensa polarização nas redes sociais, dividindo opiniões entre direita e esquerda às vésperas das eleições de 2026. O comercial, veiculado no Instagram da marca, destaca a frase "Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo, de corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa, todo mundo ama".

A interpretação política surgiu imediatamente: para a direita, a menção a evitar o "pé direito" – expressão idiomática para boa sorte – representa uma crítica velada ao espectro conservador, agravada pela escolha de Fernanda Torres, vista como "declaradamente de esquerda" por seu papel no filme "Ainda Estou Aqui" (vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, sobre a ditadura militar) e proximidade com figuras como o presidente Lula. A esquerda, por sua vez, ridicularizou as críticas como exageradas, produzindo memes e defendendo a campanha como inofensiva.

Reações da direita e pedidos de boicote:

  • Eduardo Bolsonaro (ex-deputado, PL): Publicou vídeo no Instagram (mais de 5 milhões de visualizações) jogando um par de Havaianas no lixo, afirmando: "Eu achava que isso aqui era um símbolo nacional. Já vi muito gringo com essa bandeirinha do Brasil no pé, só que eu me enganei". Classificou Torres como "pessoa declaradamente de esquerda" e invocou o bordão "quem lacra não lucra", comparando ao boicote à Bud Light nos EUA em 2023.
  • Nikolas Ferreira (deputado federal, PL-MG): No X, postou: "Havaianas, nem todo mundo agora vai usar", em trocadilho com o slogan da marca.
  • Cleitinho Azevedo (senador, Republicanos-MG): Vídeo com 2,8 milhões de visualizações criticando a frase como "metáfora eleitoral" e oposição à anistia, chamando Torres de "contra a direita".
  • Luciano Hang (empresário, Havan): Anunciou migração para Ipanema (concorrente), incentivando boicote no Instagram.
  • Outros: Parlamentares como Rodrigo Valadares (PL-SE) e vereadores de Recife e São Paulo acusaram a marca de "panfleto político" e "hegemonia esquerdista". Influenciadores como Thiago Asmar ("Pilhado") convocaram boicote, prevendo prejuízos.

O movimento ganhou tração: posts da Ipanema receberam engajamento recorde (uma publicação com 614 mil curtidas, contra médias de 10-30 mil), com usuários prometendo começar 2026 "com o pé direito" na concorrente.

Reações da esquerda e memes:

  • Erika Hilton (deputada federal, PSOL-SP): Ironizou no Instagram: "Como assim os bolsonaristas tão cancelando até as Havaianas? Será que não serve direito nos cascos deles?".
  • Pedro Rousseff (vereador, PT, sobrinho de Dilma): No X, brincou sobre tornozeleiras eletrônicas para "deixar de usar" Havaianas.
  • Paulo Pimenta (deputado federal, PT-RS): Postou foto de Havaianas, prometendo comprar pares de presente: "Quem é Brasileiro sabe o que é bom. Ainda estamos aqui Fernanda Torres!".
  • Memes: Imagens de IA com chinelos em ferradura; montagens de bolsonaristas "cortando" Havaianas; brincadeiras natalinas sugerindo presentear conservadores com a marca; piadas sobre "quatro patas no chão" excluindo a direita. Hashtags como #2026DoisPésNaBundadaDireita e #HavaianasAmelhordoBrasil viralizaram.

A Alpargatas (controladora da Havaianas) e Fernanda Torres não se pronunciaram até o momento. A controvérsia, repercutida em veículos como Folha, O Globo, BBC Brasil e Revista Oeste, destaca a polarização cultural em 2025, com boicotes conservadores contrastando casos como o SBT (criticado por receber Lula e Moraes). Analistas veem potencial benefício à marca via visibilidade, mas riscos de perda de mercado entre conservadores. O debate amplifica tensões eleitorais, com a direita acusando "lacração" e a esquerda celebrando resistência cultural.