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Publicado: 24 de dezembro de 2025 às 17:11

EUA estimam que China produz cerca de 100 ogivas nucleares por ano, revela relatório do Pentágono

Arsenal chinês atinge low 600s em 2024 com ritmo mais lento, mas expansão continua com mais de 100 mísseis ICBM carregados em novos silos; Pequim rejeita negociações de controle de armas

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) divulgou seu relatório anual sobre o poder militar da China, destacando que Pequim mantém um ritmo de produção de aproximadamente 100 ogivas nucleares por ano, apesar de uma desaceleração observada em 2024. O arsenal chinês permanece na faixa dos "low 600s" (cerca de 600 ogivas operacionais), refletindo um crescimento mais lento em comparação com anos anteriores, mas a expansão geral continua acelerada, com projeções de ultrapassar 1.000 ogivas até 2030.

O documento, baseado em inteligência americana, revela que a China provavelmente carregou mais de 100 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) de combustível sólido, como o DF-31, em três novos campos de silos localizados no norte do país, próximos à fronteira com a Mongólia. Essa implantação eleva a capacidade de dissuasão nuclear de Pequim, permitindo maior prontidão e sobrevivência em cenários de conflito.

Autoridades do Pentágono enfatizam que Beijing mostra "nenhum apetite" por negociações de controle de armas, rejeitando diálogos multilaterais ou bilaterais significativos, em contraste com acordos históricos entre EUA e Rússia. O relatório surge às vésperas da expiração do tratado New START em fevereiro de 2026, o último acordo nuclear entre Washington e Moscou, que limita ogivas estratégicas implantadas a 1.550 por lado.

A China respondeu às acusações com veemência. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, classificou as alegações americanas de hipócritas, lembrando que os EUA possuem o maior arsenal nuclear do mundo. "A tarefa mais urgente é que os Estados Unidos cumpram sua responsabilidade especial e prioritária no desarmamento nuclear", afirmou, defendendo que a política chinesa mantém forças nucleares no "mínimo nível necessário para a segurança nacional".

Contexto global do arsenal nuclear:

  • China: Terceiro maior, com cerca de 600 ogivas (crescimento de ~100/ano em média recente).
  • EUA e Rússia: Detêm cerca de 90% das mais de 12.000 ogivas mundiais.
  • Outros países com armas nucleares: França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.

O relatório também nota avanços chineses em armas de baixo rendimento, postura de "lançamento sob aviso" (launch on warning) e modernização de tríade nuclear (mísseis terrestres, submarinos e bombardeiros). Apesar da desaceleração na produção de ogivas em 2024 – sem causa especificada –, o Pentágono mantém que a trajetória de expansão persiste, impulsionada por Xi Jinping para alcançar opções nucleares mais diversificadas e prontas.

A divulgação amplifica tensões geopolíticas, especialmente em relação a Taiwan e o Indo-Pacífico, onde o crescimento militar chinês é visto como ameaça à estabilidade. Analistas independentes, como o Bulletin of the Atomic Scientists, corroboram estimativas semelhantes de cerca de 600 ogivas, projetando continuidade no crescimento. O caso reforça debates sobre uma nova corrida armamentista nuclear envolvendo as três maiores potências.