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Publicado: 08 de janeiro de 2026 às 09:21

Arqueologia Bíblica em 2026: Novas Descobertas Reforçam o Cenário Histórico das Escrituras

Achados recentes em Israel e na Turquia trazem mais luz sobre locais e períodos mencionados na Bíblia, sem tocar em questões de fé

A arqueologia não para de surpreender quem acompanha as escavações no Oriente Médio. Nos últimos anos, várias descobertas têm dado contornos mais precisos ao mundo descrito na Bíblia, confirmando nomes de lugares, técnicas de construção e até detalhes cotidianos da antiguidade. Não se trata de provar milagres ou eventos sobrenaturais, mas de mostrar que os textos bíblicos estavam bem ancorados na realidade histórica da época. Os especialistas são cautelosos: “Esses achados ajudam a entender o contexto em que as histórias foram escritas”, explica o arqueólogo Eli Yannai, da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA). “Eles não respondem perguntas teológicas, mas enriquecem o conhecimento histórico.”

Aqui estão alguns dos achados mais comentados dos últimos tempos:

Piscina de Siloé ganha nova dimensão A piscina mencionada no Evangelho de João, onde Jesus teria curado um cego mandando-o lavar os olhos, continua revelando segredos. Escavações recentes expuseram quase toda a sua extensão e descobriram uma represa do século VIII a.C., provavelmente construída na época do rei Ezequias para proteger o abastecimento de água de Jerusalém em tempos de seca ou cerco. A estrutura é impressionante: degraus largos, paredes altas e um sistema que controlava o fluxo da Fonte de Giom.

Cidade de Davi entrega fortificações monumentais Na área conhecida como Cidade de Davi, ao sul do Monte do Templo, as escavações identificaram muralhas e edifícios administrativos datados do período do Primeiro Templo (cerca de 1000-586 a.C.). Os arqueólogos encontraram evidências de construções de grande porte que coincidem com as descrições dos reinados de Davi e Salomão nos livros de Samuel e Reis. “É como ver o palco onde parte da história aconteceu”, comenta a dra. Doron Ben-Ami, responsável pela equipe.

Selo de Isaías segue intrigando Desde sua descoberta em 2018, o pequeno selo de argila com a inscrição “pertencente a Isaías, profeta” continua sendo estudado. Encontrado a poucos metros de outro selo do rei Ezequias, ele é a primeira menção física extra-bíblica do autor do Livro de Isaías. Análises mais recentes reforçaram a autenticidade e a datação para o século VIII a.C.

Fragmentos do Mar Morto mais antigos do que se pensava Novas técnicas de datação por radiocarbono e análise de tinta indicam que alguns pergaminhos de Qumran podem ser até um século mais antigos que o estimado anteriormente. Isso aproxima ainda mais os textos encontrados nas cavernas do conteúdo da Bíblia Hebraica que conhecemos hoje.

Atividade humana antiga no Monte Ararat Na Turquia, no sítio conhecido como formação Durupinar – associado por alguns à possível localização da Arca de Noé –, equipes encontraram cerâmicas e ferramentas que remontam a milhares de anos. Embora não haja evidência direta da arca, os achados confirmam ocupação humana intensa na região das “montanhas de Ararate” mencionadas no Gênesis.

Para os pesquisadores, cada nova pá de terra removida é uma peça que ajuda a montar o quebra-cabeça do passado. “A Bíblia não foi escrita como livro de história moderna, mas contém memória histórica real”, resume o professor Israel Finkelstein, da Universidade de Tel Aviv. “E a arqueologia está aí para mostrar isso.”

As descobertas continuam atraindo turistas, estudiosos e curiosos para os sítios em Israel. E, enquanto as pás não param, a conversa entre passado e presente segue viva.