Prefeito Eduardo Paes determina estudo para tabelar preços nas praias do Rio
Medida visa coibir abusos em quiosques, barraqueiros e aluguel de cadeiras após denúncias de valores exorbitantes neste verão; inspiração vem de Tel Aviv
Diante de uma onda de reclamações sobre preços considerados abusivos na orla carioca, o prefeito Eduardo Paes (PSD) anunciou que determinou a realização de estudos técnicos para avaliar a possibilidade de tabelar os valores cobrados por serviços e produtos vendidos nas praias do Rio. A iniciativa foi divulgada pelo próprio prefeito em suas redes sociais neste sábado (10), e envolve as secretarias municipais de Ordem Pública e de Defesa do Consumidor.
Paes justificou a medida destacando que todo comércio na areia – incluindo quiosques, barraqueiros, aluguel de cadeiras, guarda-sóis e sofás – funciona por meio de permissões ou concessões municipais. “Temos visto um enorme abuso nos preços exorbitantes praticados por alguns desses comerciantes nesse verão”, escreveu o prefeito. Ele comparou a situação ao serviço de táxi, onde as bandeiras são fixadas pelo poder público, e admitiu que, em geral, prefere deixar o livre mercado atuar, mas que “diante do que temos visto, alguma ação terá que ser tomada”.
Exemplos de preços que geraram polêmica Reportagens recentes, como as publicadas pelo jornal O Globo, apontaram cobranças elevadas: diária de espreguiçadeira por R$ 100 na Zona Sul, sofás na areia chegando a R$ 850 no Recreio dos Bandeirantes, e até pastéis vendidos por R$ 150 em pontos próximos à orla. Esses valores, especialmente no auge do verão, têm afastado muitos banhistas e turistas, transformando a praia – um bem público – em algo cada vez mais inacessível para parte da população.
Inspiração em modelo internacional A ideia do tabelamento ganhou força após o vereador Flávio Valle (PSD) apresentar ao prefeito a experiência de Tel Aviv, em Israel, onde o município regula diretamente os preços máximos cobrados em quiosques e no aluguel de equipamentos de praia. Em Tel Aviv, há cardápios fixos e fiscalização municipal para evitar excessos, garantindo acesso mais democrático ao espaço público.
Reações e próximos passos Embora o anúncio tenha sido bem recebido por consumidores que reclamam nas redes sociais, a proposta já gera resistência entre comerciantes. A Orla Rio, concessionária responsável pela gestão de quiosques, afirmou que “não existe” possibilidade de tabelamento, defendendo que os preços seguem a lógica de mercado e consideram custos operacionais. Representantes de barraqueiros e quiosqueiros argumentam que uma tabela rígida poderia ignorar variações de localização, demanda sazonal e despesas reais.
A Prefeitura não informou prazo para a conclusão dos estudos nem quais itens específicos seriam incluídos (como bebidas, alimentos, aluguel de cadeiras ou sofás). Paes também é autor de um projeto de lei que cria o Estatuto da Orla, com regulamentação unificada e participativa para os serviços na praia.
A discussão sobre o futuro da orla carioca ganha força em plena alta temporada. Se o tabelamento avançar, pode mudar a dinâmica de um dos cartões-postais mais famosos do mundo – e do acesso democrático à praia.
