Pesquisa Quaest mostra divisão entre brasileiros sobre ação dos EUA na Venezuela e medo de intervenção no Brasil
Levantamento revela que 58% temem uma ação similar ao Brasil, metade dos entrevistados aprova operação americana e maioria defende neutralidade do país
Uma nova pesquisa do instituto Genial/Quaest mostra que a crise política na Venezuela e a recente atuação dos Estados Unidos no país dividiram a opinião pública brasileira. O levantamento revela que o episódio despertou tanto apoio quanto preocupação entre os entrevistados, especialmente em relação à possibilidade de ações semelhantes em outros países da região.
Segundo os dados, 58% dos brasileiros afirmam temer que os Estados Unidos possam realizar, no futuro, uma intervenção parecida no Brasil. Outros 40% dizem não ter esse receio, enquanto uma parcela menor preferiu não opinar. O resultado indica que, apesar de parte da população enxergar legitimidade na ação americana, o sentimento de insegurança geopolítica ainda é significativo.
Quando questionados diretamente sobre a operação dos EUA na Venezuela, 46% disseram aprovar a iniciativa, enquanto 39% desaprovaram. O restante não soube responder ou optou por não se posicionar. A pesquisa também investigou a percepção moral da ação: 50% consideraram aceitável que um país intervenha em outro para capturar um ditador, enquanto 41% discordaram dessa ideia.
A postura que o Brasil deveria adotar diante do conflito também foi avaliada. A maioria dos entrevistados, 66%, defende que o país mantenha uma posição de neutralidade, evitando alinhamento direto tanto com os Estados Unidos quanto com o governo venezuelano. Apenas 18% acreditam que o Brasil deveria apoiar a ação americana, enquanto 10% defendem uma postura contrária.
O levantamento ainda analisou a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou publicamente a atuação dos Estados Unidos. Para 51% dos entrevistados, a posição do presidente foi equivocada. Já 37% consideraram a reação adequada, e 12% não souberam avaliar.
Apesar da repercussão internacional do episódio, a pesquisa indica que o impacto eleitoral tende a ser limitado. Para 71% dos brasileiros, a postura do governo brasileiro diante da crise venezuelana não deve influenciar o voto nas eleições presidenciais de 2026. Outros 17% afirmaram que o posicionamento poderia levá-los a escolher um candidato da oposição.
O levantamento foi realizado entre os dias 8 e 11 de janeiro, com pouco mais de dois mil entrevistados em diferentes regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os dados refletem um cenário de opinião pública fragmentada, em que parte da população apoia ações mais duras contra regimes autoritários, enquanto outra parcela demonstra preocupação com precedentes internacionais e com a soberania nacional. A crise na Venezuela, mais uma vez, ultrapassa as fronteiras do país e influencia o debate político dentro do Brasil.
