Canadá alerta para “erosão do multilateralismo” e diz ver sinais de uma nova ordem mundial
Declarações refletem preocupações com tensões geopolíticas, guerras e fragmentação de alianças tradicionais no cenário global
O governo do Canadá fez um alerta público sobre o que descreveu como a erosão do multilateralismo no mundo contemporâneo e apontou para o surgimento de uma nova ordem global marcada por tensões entre grandes potências, conflitos regionais e mudanças na arquitetura das alianças internacionais.
Em discurso proferido em fórum internacional de alto nível, autoridades canadenses destacaram que o modelo tradicional de cooperação entre países — baseado em instituições multilaterais como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio e acordos de governança global — encontra-se sob pressão. De acordo com essa visão, fatores geopolíticos recentes têm fragilizado normas e práticas centrais que sustentam a diplomacia coletiva e a resolução pacífica de disputas.
O termo “multilateralismo” refere-se à prática de diferentes países trabalharem juntos por meio de instituições ou acordos comuns para enfrentar desafios globais, como segurança, comércio, mudança climática, saúde pública e desenvolvimento econômico. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, esse modelo foi um pilar das relações internacionais, promovendo a cooperação entre estados e a construção de regras compartilhadas.
Nos últimos anos, contudo, crises como a guerra entre Rússia e Ucrânia, tensões no Indo-Pacífico, disputas comerciais, pressões econômicas e o ressurgimento de políticas nacionalistas em várias partes do mundo têm testado esse sistema. Segundo o relato canadense, tais eventos indicam a emergência de uma dinâmica multipolar e por vezes fragmentada, em que grandes potências buscam influência bilateral ou regional em detrimento de soluções multilaterais amplas.
Autoridades do Canadá apontaram que essa mudança estrutural pode representar uma nova ordem mundial, na qual diferentes blocos e alianças terão maior peso e agilidade para responder a crises específicas, mas com menor ênfase em regras universais e instituições globais tradicionais. Isso, na avaliação desses representantes, poderia gerar maior incerteza e instabilidade nas relações internacionais, com impactos diretos sobre segurança, comércio e cooperação.
Além das questões geopolíticas, o Canadá também relacionou o fenômeno à necessidade de modernizar mecanismos de cooperação global para lidar com desafios emergentes como tecnologia, segurança cibernética, fluxos migratórios, crises climáticas e pandemias. Para o governo canadense, fortalecer a cooperação internacional requer não apenas manter instituições existentes, mas também adaptá-las às complexidades do século XXI.
A análise canadense ocorre em um momento de intensificação dos revezes nas negociações multilaterais mais importantes. Dificuldades em acordos sobre comércio internacional, mudanças climáticas e controles de armas revelam, segundo esse ponto de vista, dificuldades crescentes de construção de consenso entre países com interesses divergentes e prioridades nacionais distintas.
O conceito de uma nova ordem mundial tem sido usado por especialistas em relações internacionais para descrever uma realidade em que a influência global não é mais monopolizada por um único polo ou um bloco geopolítico claro, mas distribuída entre diferentes atores com capacidades econômicas, militares e tecnológicas significativas. Isso implica que países de médio porte, alianças regionais e atores não estatais também desempenham papéis mais ativos na formulação de políticas e respostas a crises.
Em comentários relacionados, diplomatas canadenses enfatizaram que, apesar das dificuldades, a solução não está em abandonar o ideal multilateral, mas em reforçar e reformular instituições existentes, criando plataformas que reflitam melhor os interesses e desafios da comunidade global atual. A opinião é de que um multilateralismo reinventado é essencial para enfrentar problemas que não respeitam fronteiras, como pandemias, mudanças climáticas e delitos transnacionais.
Especialistas que acompanham a política externa canadense interpretam a declaração como um esforço do país para posicionar-se como defensor de uma cooperação internacional forte, ao mesmo tempo em que reconhece as transformações profundas na política global. A percepção de um cenário internacional em mutação leva governos e think tanks a propor novas formas de diálogo, construção de consenso e mecanismos que possam equilibrar soberania nacional com cooperação global.
A discussão está longe de ser apenas acadêmica, pois toca diretamente em decisões estratégicas de segurança, economia, tecnologia e diplomacia que moldarão as relações entre Estados no futuro próximo. O alerta canadense é mais uma voz no debate global sobre o papel das instituições multilaterais e o que virá a seguir no complexo tabuleiro das relações internacionais.
