Delegados da Polícia Federal criticam atuação do STF nas investigações do Banco Master
Associação que representa a categoria afirma que decisões da Suprema Corte estariam interferindo no trabalho da corporação e gerando 'perplexidade institucional'
Delegados da Polícia Federal manifestaram publicamente preocupação com a forma como o Supremo Tribunal Federal tem conduzido decisões relacionadas à investigação sobre supostas fraudes e irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master, instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 2025.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que representa os delegados da corporação, divulgou nota oficial expressando elevada preocupação com o desenvolvimento das investigações, apontando indícios de que prerrogativas legais dos delegados à frente do inquérito estariam sendo mitigadas e desrespeitadas. A entidade classificou o atual cenário como manifestamente atípico para o trabalho policial.
Entre os principais pontos criticados pelos delegados estão decisões judiciais que, segundo eles, têm interferido no planejamento estratégico das diligências, como a determinação de prazos muito curtos para buscas e apreensões e inquirições que não seguem a metodologia investigativa tradicional da Polícia Federal. A nota também menciona que determinadas ordens judiciais teriam interferido em procedimentos técnicos, como a lacração de objetos apreendidos, o envio de materiais a outros órgãos e a indicação nominal de peritos, o que, na visão dos delegados, destoaria dos protocolos institucionais adotados pela corporação.
A associação não citou explicitamente o nome do ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, mas deixou claro que determinadas decisões judiciais estariam atrapalhando o andamento regular das investigações. Delegados afirmam que a cooperação tradicional entre a Polícia Federal e o Supremo historicamente produziu bons resultados em casos de grande complexidade, mas que o momento atual tem sido marcado por tensões institucionais.
O contexto dessas manifestações se insere em um ambiente mais amplo de atritos entre o Judiciário e a Polícia Federal, com episódios recentes em que o Supremo teria estabelecido prazos ou procedimentos à frente do trabalho policial. Críticos das decisões apontam que essas ações poderiam comprometer a eficácia das investigações e abrir brechas para questionamentos sobre a validade de provas ou procedimentos adotados.
Representantes do Supremo Tribunal Federal negam interferência indevida nas investigações e ressaltam que as decisões da Corte estão voltadas a assegurar o cumprimento da lei e de direitos fundamentais, como a presunção de inocência e o devido processo legal. O tribunal destaca que sua atuação em inquéritos complexos com foro por prerrogativa de função busca garantir a correta aplicação das normas constitucionais e processuais.
Analistas políticos e jurídicos avaliam que a divulgação dessas críticas intensifica o debate sobre os limites institucionais e o funcionamento das engrenagens da investigação criminal no Brasil, especialmente em casos de grande repercussão pública e econômica, como o do Banco Master. A situação segue sendo acompanhada por órgãos de controle, parlamentares e pela sociedade.v
