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Publicado: 22 de janeiro de 2026 às 12:00

Dívida pública do Brasil supera R$ 8 trilhões e atinge recorde nominal em 2025

Estoque atual da Dívida Pública Federal é maior do que o registrado no auge da pandemia, embora proporção em relação ao PIB tenha sido mais elevada em 2020

A dívida pública brasileira atingiu um novo recorde nominal em 2025. Dados do Tesouro Nacional mostram que, ao final de novembro, o estoque da Dívida Pública Federal alcançou R$ 8,48 trilhões, consolidando uma trajetória de crescimento observada ao longo de todo o ano e superando, em valores absolutos, os níveis registrados durante a pandemia de Covid-19.

Desde meados de 2025, a dívida federal ultrapassa de forma consistente a marca dos R$ 8 trilhões. Nos últimos meses do ano, os números oscilaram entre R$ 8,25 trilhões e R$ 8,48 trilhões, configurando o maior patamar já registrado em termos nominais na série histórica.

O avanço ocorre em um contexto de desafios fiscais, necessidade de financiamento do setor público e manutenção de despesas obrigatórias, além do impacto dos juros sobre o estoque da dívida. Em valores absolutos, o montante atual supera todos os registros anteriores divulgados nos relatórios mensais oficiais.

Comparação com o período da pandemia

Durante os anos de 2020 e 2021, a dívida pública brasileira também apresentou forte expansão, impulsionada pelos gastos extraordinários do chamado Orçamento de Guerra, pela criação de programas de auxílio emergencial, apoio a empresas e medidas voltadas à preservação da atividade econômica durante a crise sanitária.

Em 2021, a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui União, estados, municípios e empresas estatais, chegou a cerca de R$ 6,97 trilhões, o equivalente a aproximadamente 80,3% do Produto Interno Bruto. Já em 2020, no auge da crise, a dívida alcançou o recorde histórico de cerca de 87,4% do PIB no terceiro trimestre, reflexo da combinação entre forte queda da atividade econômica e aumento expressivo dos gastos públicos.

Apesar da gravidade do cenário naquele período, os valores nominais registrados durante a pandemia são inferiores aos observados em 2025, quando a Dívida Pública Federal ultrapassou R$ 8,4 trilhões.

Nominal versus percentual do PIB

Especialistas destacam que a análise da dívida pública pode variar de acordo com o critério utilizado. Em valores nominais, o estoque atual é claramente superior ao observado durante a pandemia. No entanto, a relação entre dívida e PIB é um indicador fundamental para avaliar a sustentabilidade fiscal.

Em 2020, esse percentual atingiu níveis excepcionais, próximos de 87% do PIB, em um momento de retração econômica severa. Em 2025, embora a dívida permaneça elevada, estimativas apontam que ela gira em torno de 77% a 79% do PIB, patamar inferior ao pico observado durante a crise sanitária.

Cenário atual

O crescimento nominal da dívida reflete não apenas o volume de gastos e receitas do setor público, mas também o impacto dos juros e o desempenho da economia. Mesmo com a retomada do PIB após a pandemia, o nível atual da dívida segue elevado e no centro do debate sobre política fiscal e equilíbrio das contas públicas.

A comparação entre os dois períodos mostra que, embora a pandemia tenha representado o momento mais crítico em termos de proporção da dívida em relação à economia, o Brasil enfrenta hoje o maior estoque nominal de dívida pública de sua história, o que mantém o tema como um dos principais desafios da agenda econômica nacional.