Irmãos de ministro do STF foram sócios de segundo resort de luxo no Paraná
Investigação aponta que familiares de Dias Toffoli detiveram 18% de empreendimento em Porto Rico até 2025; participação foi vendida pouco antes de novas polêmicas
Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que os irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), mantiveram sociedade em um segundo empreendimento hoteleiro de luxo. Além do conhecido Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli possuíam 18% das cotas do "Tayayá Porto Rico", localizado na divisa entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul.
A participação dos irmãos no negócio ocorreu entre os anos de 2021 e 2025, por meio da empresa Maridt Participações. O resort, situado na cidade de São Pedro do Paraná, é um projeto de multipropriedade desenvolvido em parceria com figuras conhecidas, como o apresentador Ratinho e o empresário Patrick Ferro. De acordo com os registros obtidos pela reportagem, os familiares do magistrado venderam suas cotas em fevereiro de 2025.
O caso ganha relevância diante dos desdobramentos da Operação Barco de Papel e do inquérito que envolve o Banco Master, do qual Toffoli é o relator no STF. Recentemente, foi noticiado que fundos ligados a parceiros comerciais do banco adquiriram fatias da família Toffoli no primeiro resort, em Ribeirão Claro. A descoberta de um segundo empreendimento amplia o mapa de negócios imobiliários dos parentes do ministro na região.
Questionado sobre as transações, José Eugênio Toffoli afirmou que todas as informações foram devidamente declaradas pela Maridt à Receita Federal. Já o padre José Carlos Toffoli evitou dar detalhes sobre os investimentos. Por outro lado, a esposa de José Eugênio declarou ao jornal desconhecer que sua residência em Marília (SP) servia como sede para a empresa de participações da família, afirmando levar uma vida simples e sem recursos para grandes reformas.
Embora o ministro Dias Toffoli não apareça como sócio nos contratos, registros indicam que ele frequenta as instalações dos resorts com regularidade. O Supremo Tribunal Federal justificou o uso de escoltas e diárias de seguranças na região como parte do protocolo padrão para assegurar a proteção dos magistrados em períodos de folga ou recesso. O avanço das investigações sobre o sistema financeiro deve analisar se houve qualquer conflito de interesses nas transações societárias envolvendo os familiares do relator.
