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Publicado: 24 de janeiro de 2026 às 14:23

Lula critica proposta de Trump para a segurança global e defende autonomia do Brasil

Em discurso na Bahia, presidente rejeitou criação de novo conselho internacional e afirmou que o país não aceitará "voltar a ser colônia"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a política externa dos Estados Unidos durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado nesta sexta-feira (23) em Salvador. O petista criticou abertamente o "Conselho da Paz" proposto pelo presidente norte-americano Donald Trump, classificando a iniciativa como uma tentativa de centralizar o poder global e esvaziar o papel das Nações Unidas.

Segundo Lula, a proposta de Trump representaria a criação de uma organização internacional onde os Estados Unidos agiriam como "donos da ONU". O presidente brasileiro defendeu que o multilateralismo está sendo desmontado em favor da "lei do mais forte" e revelou estar articulando uma frente internacional com líderes de países como China, Índia e México para preservar as instâncias de diálogo global e a soberania das nações.

Durante sua fala, o chefe do Executivo enfatizou que o Brasil manterá uma postura de independência diplomática, buscando relações com diversas potências, mas sem submissão. Lula utilizou a expressão "voltar a ser colônia" para ilustrar o que considera uma ameaça à integridade do país diante de pressões externas. Ele também ironizou o foco militar da gestão Trump, afirmando que prefere vencer disputas no campo dos argumentos e da narrativa em vez do poderio bélico.

O discurso também abordou crises regionais e humanitárias. Lula manifestou indignação com a situação na Venezuela, defendendo a integridade territorial e a paz na América do Sul. Além disso, voltou a condenar as ações militares na Faixa de Gaza, classificando o cenário como uma barbárie contra populações vulneráveis.

No plano doméstico, o presidente aproveitou o evento para convocar a militância para o cenário eleitoral de 2026. Ele defendeu a importância de eleger uma base parlamentar comprometida com pautas sociais e afirmou que o governo focará no combate às notícias falsas para garantir que "a mentira não prevaleça". O evento em Salvador marcou uma das falas mais contundentes de Lula sobre a nova dinâmica das relações Brasil-EUA desde o início do ano.