Allied internacionaliza operação em Miami e supera R$ 1 bilhão em faturamento sob impacto das tarifas de Trump
Empresa de tecnologia utiliza zonas de comércio especial para abastecer a América Latina; faturamento internacional salta de R$ 155 milhões para R$ 408 milhões no decorrer de 2025
A Allied (ALLD3), gigante brasileira de logística e varejo de eletrônicos, consolidou sua estratégia de internacionalização em um ano marcado por fortes tensões comerciais globais. Com sede em Miami, nos Estados Unidos, a operação internacional da companhia já ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão em faturamento anual, atendendo a 17 países da América Latina. O movimento, iniciado a convite da Apple para replicar o modelo de distribuição bem-sucedido no Brasil, provou-se resiliente mesmo diante do "tarifaço" imposto pelo governo de Donald Trump no início de 2025.
Estratégia em Zonas Especiais
A Allied opera a partir de uma "Foreign Trade Zone" (Zona de Comércio Exterior) em Miami, o que permite a importação de produtos eletrônicos (principalmente da Ásia) e a reexportação para mercados latino-americanos sem a incidência de tarifas de importação americanas.
- Recuperação rápida: Apesar de um primeiro trimestre de 2025 difícil, com faturamento de apenas R$ 155 milhões devido às incertezas burocráticas geradas pelas novas políticas de Trump, a empresa reagiu rapidamente.
- Crescimento acelerado: A receita líquida internacional saltou para R$ 305 milhões no segundo trimestre e atingiu R$ 408,2 milhões no terceiro trimestre de 2025.
Varejo Físico vs. Digital no Brasil
Enquanto a frente internacional cresce, a Allied ajusta sua operação de lojas físicas no Brasil. A empresa opera atualmente 100 quiosques e lojas da Samsung, um número reduzido em relação aos 180 operados antes da pandemia.
- Eficiência por PDV: Mesmo com menos lojas, a Allied dobrou o faturamento por ponto de venda, passando de R$ 206 mil (2020) para R$ 436 mil mensais em 2025.
- Foco em Valor Agregado: A estratégia foca na venda de acessórios e seguros, com alta taxa de conversão em itens como relógios inteligentes (wearables), fones e planos de proteção.
Justiça e Dividendos Históricos
Um dos grandes marcos da companhia em 2025 foi o desfecho judicial da "Lei do Bem". Após anos de disputa sobre o fim abrupto de benefícios fiscais em 2016, a Allied obteve o direito a R$ 890 milhões em créditos tributários.
- Monetização de Créditos: A empresa vendeu esses direitos a um fundo do Itaú com deságio, gerando um caixa imediato de R$ 320 milhões líquidos.
- Retorno aos Acionistas: Grande parte desse valor foi distribuída em 2025 através de JCP e redução de capital, totalizando R$ 310 milhões pagos aos investidores e levando o dividend yield da companhia a impressionantes 44% no ano.
Com a operação em Miami ganhando escala e o caixa reforçado por vitórias judiciais, a Allied entra em 2026 focada em consolidar seu papel como a principal ponte tecnológica entre os grandes fabricantes globais e o mercado consumidor da América Latina.
