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Publicado: 29 de janeiro de 2026 às 08:51

Estratégias de investimento pós-Copom: como alocar em Tesouro e crédito privado com a Selic a 15%

Manutenção dos juros estende janela de oportunidade em títulos de inflação, enquanto o mercado de debêntures exige cautela devido aos prêmios reduzidos

A decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15% ao ano — a quinta manutenção consecutiva — confirmou o cenário de juros elevados por mais tempo, mas alterou a dinâmica recomendada para os investidores de renda fixa. Com a expectativa de que um ciclo de cortes comece no primeiro semestre de 2026, analistas apontam que a estratégia de apenas "surfar o CDI" deve dar lugar a uma alocação mais técnica, focada em capturar juros reais e ganhos de capital na marcação a mercado.

Tesouro Direto: O brilho do IPCA+

A grande recomendação para o momento recai sobre os títulos atrelados à inflação. A manutenção da Selic prolongou uma janela onde é possível encontrar taxas de juro real (IPCA + 6,5% a 8%) muito acima da média histórica.

  • Tesouro IPCA+: Especialistas recomendam papéis com vencimento médio (5 a 6 anos). Além de garantir um rendimento real elevado, esses títulos podem gerar ganho de capital significativo se houver um fechamento da curva de juros nos próximos meses.
  • Prefixados: Indicados para quem busca lucrar com a marcação a mercado no curto prazo (vencimentos de 2 a 3 anos), aproveitando a precificação de futuros cortes na Selic.
  • Tesouro Selic: Continua sendo a melhor opção para reserva de emergência e liquidez imediata, garantindo retorno de dois dígitos com baixo risco.

Crédito Privado: Cuidado com os prêmios magros

Se nos títulos públicos o sinal é verde, no crédito privado (debêntures, CRIs e CRAs) a recomendação é de seletividade extrema. O excesso de demanda por esses ativos nos últimos meses "amassou" os spreads, reduzindo o prêmio pago em relação aos títulos públicos.

  • Risco vs. Retorno: O potencial de ganho adicional está limitado, enquanto o risco das empresas permanece o mesmo em um ambiente de juros altos que pressiona o caixa.
  • Setores Defensivos: A preferência deve ser por emissores de setores resilientes, como energia e saneamento básico. Devem ser evitadas empresas muito alavancadas do varejo e construção, que dependem de crédito barato.
  • Debêntures Incentivadas: Continuam atrativas pela isenção de Imposto de Renda para pessoa física, desde que a qualidade do crédito seja rigorosamente analisada.

Tendência de Migração de Indexadores

Com a Selic em 15%, o CDI ainda entrega um retorno nominal robusto no curto prazo. No entanto, a visão estratégica de médio prazo sugere que o investidor comece a migrar parte da carteira de pós-fixados (CDI) para ativos indexados à inflação (IPCA+). Essa mudança visa proteger o patrimônio contra eventuais repiques inflacionários e garantir taxas de juros reais que podem não estar mais disponíveis quando o Banco Central iniciar efetivamente a queda dos juros básicos.