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Publicado: 31 de janeiro de 2026 às 09:55

Manutenção da Selic e recordes na Bolsa marcam o cenário econômico da semana

Decisão do Banco Central mantém juros em 15% enquanto Ibovespa atinge máximas históricas impulsionado por capital estrangeiro; Petrobras anuncia redução no combustível.

A última semana de janeiro de 2026 consolidou o cenário de cautela e otimismo seletivo no mercado financeiro brasileiro. A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano confirmou as expectativas dos investidores ao manter a taxa Selic em 15% ao ano. Apesar da estabilidade, a comunicação oficial do Banco Central sinalizou que o ciclo de cortes pode ser iniciado em março, com projeções de reduções graduais que podem levar a taxa básica para 12,50% até o fim do ciclo.

Enquanto os juros permanecem elevados, o Ibovespa ignorou a estabilidade das taxas e renovou suas máximas históricas. O movimento foi sustentado pelo forte ingresso de capital estrangeiro, que já soma mais de R$ 20 bilhões apenas no início deste ano. O apetite dos investidores internacionais por ativos brasileiros reflete uma busca por mercados emergentes com ativos considerados descontados, mesmo diante de um cenário global ainda marcado por incertezas geopolíticas e fiscais em economias desenvolvidas.

No setor corporativo, a Petrobras foi um dos grandes destaques ao anunciar uma redução de R$ 0,14 por litro no preço da gasolina vendido às distribuidoras, uma queda de 5,2%. A medida busca ajustar os preços internos, que ainda operam com prêmio em relação ao mercado internacional, e pode aliviar pontualmente a pressão inflacionária. Simultaneamente, a Vale apresentou resultados operacionais robustos no último trimestre de 2025, superando suas próprias metas anuais em todas as divisões, especialmente em metais básicos.

No campo macroeconômico, a inflação medida pelo IPCA-15 de janeiro registrou uma alta de 0,20%, mantendo o acumulado de 12 meses em 4,50%. O índice mostra sinais mistos, com a queda nos preços dos alimentos sendo compensada pela alta em bens industrializados. Esse equilíbrio delicado reforça a postura vigilante do Banco Central em relação à trajetória de preços, justificando a manutenção dos juros no patamar atual.

O cenário internacional também contribuiu para o clima de volatilidade, com novos desdobramentos em conflitos geopolíticos e pressões fiscais nos Estados Unidos. A trégua temporária nos bombardeios contra Kiev e as tensões envolvendo a Venezuela permanecem no radar dos investidores, influenciando as projeções para o câmbio e o preço das commodities. No Brasil, o foco agora se volta para os próximos passos da política fiscal e o início da temporada de balanços do quarto trimestre.