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Publicado: 05 de fevereiro de 2026 às 08:10

De olho em 2026, Lula promove jantar para selar paz com a Câmara dos Deputados

Encontro na Granja do Torto marca tentativa de reconciliação com líderes partidários; presidente elogia Hugo Motta e agradece apoio em pautas econômicas.

Em um movimento estratégico para consolidar sua base de apoio antes do início oficial da corrida eleitoral de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu, na noite de quarta-feira (4), um jantar de confraternização na Granja do Torto, em Brasília. O evento reuniu ministros e líderes de quase todos os partidos com representação na Câmara, com exceção do PL e do Novo. O gesto foi visto por parlamentares veteranos como uma rara demonstração de articulação direta do presidente, algo que não ocorria com tamanha proximidade há anos.

O grande destaque da noite foi o clima de harmonia entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Durante seu discurso, o presidente elogiou o trabalho de Motta na condução da Casa e agradeceu nominalmente pela aprovação de projetos cruciais para o Planalto em 2025, como a reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda. Motta, por sua vez, reforçou o compromisso da Câmara com a estabilidade do país, citando o avanço de pautas sociais como o Auxílio Gás do Povo.

O cardápio, tipicamente brasileiro, contou com pirarucu preparado de diversas formas — na brasa e com camarões —, acompanhado de vinhos e whiskies, simbolizando a tentativa de "azeitar" as relações institucionais após um ano marcado por atritos pontuais. Além da cúpula do Legislativo, participaram nomes fortes do governo, como os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Geraldo Alckmin (Vice-Presidência), além de Gleisi Hoffmann, que deixará a Secretaria de Relações Institucionais para ser substituída por Olavo Noleto.

Para analistas políticos, o jantar na Granja do Torto sinaliza que o governo pretende diminuir a dependência de intermediários e construir uma ponte direta com os líderes partidários. A estratégia visa garantir uma governabilidade tranquila no último ano de mandato e evitar que crises parlamentares contaminem a imagem do governo durante a campanha. Na próxima semana, o presidente deve repetir o gesto com os líderes do Senado, consolidando a ofensiva diplomática sobre o Congresso Nacional.