Ministério da Fazenda revisa projeção do PIB de 2026 para 2,3%
Secretaria de Política Econômica (SPE) cita o prolongamento da taxa Selic em patamares elevados como principal fator para a desaceleração marginal da economia.
Em um movimento que reflete o impacto da política monetária restritiva sobre a atividade econômica, o Ministério da Fazenda revisou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, reduzindo a estimativa de 2,4% para 2,3%. A atualização consta no novo Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE).
A revisão, embora considerada pequena pelos técnicos da pasta, sinaliza um reconhecimento de que o ciclo de juros altos está cobrando um preço mais alto do que o previsto anteriormente. De acordo com o relatório, a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano por um período mais extenso do que o mercado antecipava freou o consumo das famílias e, principalmente, o apetite por investimentos produtivos, o que impacta diretamente a formação bruta de capital fixo.
Pontos de Destaque da Revisão:
- Impacto dos Juros: A SPE destacou que o custo do crédito elevado dificulta a rolagem de dívidas das empresas e encarece o financiamento imobiliário e de bens duráveis, setores que costumam tracionar o PIB.
- Inflação: Apesar do crescimento ligeiramente menor, a Fazenda manteve a expectativa de que o IPCA convergirá para o centro da meta ao longo do próximo ano, impulsionado justamente pela desaceleração da demanda.
- Contraste com o Mercado: Mesmo com o corte, o governo segue mais otimista que os analistas do setor privado. O último Boletim Focus do Banco Central aponta para um crescimento de apenas 1,86% para 2026.
A equipe econômica ressaltou que, apesar do ajuste, o cenário para 2026 ainda é de resiliência, ancorado em um mercado de trabalho que segue com taxas de desemprego historicamente baixas e na expectativa de que novos projetos de infraestrutura e a reforma tributária comecem a gerar efeitos positivos sobre a produtividade nacional a médio prazo.
