Anatel identifica retorno irregular do Rumble no Brasil e inicia novo bloqueio
Plataforma de vídeos teria utilizado infraestrutura externa para contornar ordem judicial do STF; agência monitora operadoras para restabelecer restrição
A rede social Rumble voltou a ficar acessível para usuários no Brasil de forma irregular, conforme informou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nesta sexta-feira. A plataforma, que enfrenta um bloqueio judicial desde fevereiro de 2025, teria utilizado manobras técnicas para contornar as restrições impostas pelas operadoras brasileiras.
De acordo com a Anatel, o retorno do acesso ocorreu após a plataforma utilizar a infraestrutura de uma empresa terceira para alterar seus endereços de IP. Assim que a irregularidade foi detectada, o órgão iniciou os procedimentos técnicos para identificar os novos endereços e restabelecer o bloqueio nas principais redes do país. A agência informou que o serviço está sendo monitorado para garantir que a restrição seja replicada por todas as operadoras nos próximos dias.
O bloqueio original do Rumble foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão, o magistrado apontou que a empresa cometeu descumprimentos reiterados e voluntários de ordens judiciais, além de demonstrar tentativa de não se submeter ao ordenamento jurídico brasileiro.
Em nota, a Anatel destacou as dificuldades técnicas para impedir o acesso de forma definitiva, uma vez que o órgão não regula empresas de infraestrutura de internet e de distribuição de conteúdo que podem ser usadas para burlar as ordens. A agência defende a atualização do arcabouço legal brasileiro para ampliar a capacidade de exigir o cumprimento de bloqueios por parte de todos os integrantes do ecossistema digital, e não apenas das operadoras de telecomunicações tradicionais.
O Rumble é uma plataforma de vídeos que ganhou popularidade global ao se posicionar como uma alternativa ao YouTube com políticas de moderação menos restritivas. No Brasil, a empresa optou por encerrar oficialmente suas operações e restringir o acesso no final de 2023, antes mesmo do bloqueio judicial total, após se recusar a remover perfis e conteúdos sob investigação.
