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Publicado: 11 de fevereiro de 2026 às 08:30

Suposto pastor evangélico ora na Sapucaí e reacende debate sobre fé e Carnaval

Participação de Cosme Felippsen no Sambódromo provoca reações intensas e evidencia divisões teológicas no meio cristão

A Marquês de Sapucaí, maior símbolo da cultura carnavalesca do Brasil, foi palco de um evento que rompeu com décadas de tradição religiosa. O pastor Cosme Felippsen, da Assembleia de Deus Esperança (RJ), realizou uma oração pública durante um evento na avenida, pedindo proteção para trabalhadores e foliões. O gesto, embora focado na paz e segurança, reacendeu uma discussão profunda: como deve ser a relação entre o cristianismo e a maior festa popular do país?

Quem é o Pastor Cosme Felippsen?

Cosme Felippsen é uma voz conhecida no Rio de Janeiro por seus posicionamentos progressistas. Diferente da ala mais tradicional do segmento evangélico, sua atuação é focada em:

  • Justiça Social: Defesa de pautas ligadas à inclusão e combate à fome.
  • Diálogo Inter-religioso: Respeito e interlocução com religiões de matriz africana.
  • Combate ao Racismo: Atuação em pautas sociais nas comunidades fluminenses.

A Oração no Sambódromo

Em sua participação, o pastor enfatizou que o Carnaval não deve ser visto como algo "demoníaco". Para ele, os desafios urgentes da igreja e da sociedade são a violência e a desigualdade, e não a festa em si. Sua oração focou em:

  1. Proteção: Para os milhares de profissionais que fazem o evento acontecer.
  2. Paz: Para os foliões que ocupam o espaço público.
  3. Presença: A ideia de que a fé cristã pode ocupar espaços culturais sem se isolar.

Reações e Divisões

A presença do líder religioso na passarela do samba revelou duas frentes de pensamento bem distintas no Brasil de 2026:

O Lado dos Apoiadores

Elogiam a postura conciliadora e veem o ato como um reconhecimento do Carnaval como manifestação cultural legítima. Para este grupo, a oração simboliza que a fé pode conviver harmonicamente com a cultura popular e a liberdade religiosa.

O Lado dos Críticos

Líderes de linhas conservadoras veem a atitude como incoerente. Argumentam que o ambiente do Carnaval, marcado por excessos de álcool e sensualização, é incompatível com a ética bíblica. Para este setor, a alternativa correta continua sendo o isolamento em retiros espirituais.

Contexto Histórico: A Origem do Conflito

O debate não é novo e possui raízes profundas na formação das igrejas no Brasil:

  • Raízes Cristãs: O Carnaval surgiu como o período de "despedida da carne" antes da Quaresma (os 40 dias de penitência católica).
  • Divergência Teológica: Enquanto o Catolicismo historicamente conviveu com a festa (mesmo com críticas), o movimento evangélico pentecostal do século XX consolidou uma postura de afastamento radical, criando os famosos "retiros" para proteger os fiéis do que consideram um ambiente nocivo.

Conclusão

O ato do pastor Cosme Felippsen sinaliza que o segmento evangélico não é um bloco único. A mudança de postura de parte das lideranças nas últimas décadas indica que o diálogo com a cultura pode ser o novo caminho para muitos cristãos que desejam estar inseridos na sociedade, sem necessariamente abdicar de seus valores.