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Publicado: 12 de fevereiro de 2026 às 15:18

Do 'Desarmamento' ao 'Minha Primeira Arma': O Avanço da Flexibilização Tributária sob o Governo Lula

Projeto aprovado em comissão da Câmara propõe isenção de IPI e PIS/COFINS para o primeiro armamento de cidadãos; entenda como a medida desafia o discurso histórico do atual governo sobre segurança pública.

O cenário da segurança pública e do direito ao armamento no Brasil vive uma reviravolta política surpreendente em 2026. Após anos de críticas contundentes às políticas de flexibilização do governo anterior, o atual cenário legislativo sob a gestão Lula presencia o avanço do programa "Minha Primeira Arma". A proposta, que acaba de ser aprovada pela Comissão de Segurança Pública da Câmara, coloca em xeque a polarização sobre o tema ao focar na desoneração tributária para a autodefesa.

Embora o governo federal tenha iniciado o mandato com decretos que restringiam o acesso de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores), a aprovação deste projeto sinaliza uma tentativa do Congresso de legislar sobre o acesso civil às armas, focando na redução do custo final para o cidadão comum.

1. O que é o Programa "Minha Primeira Arma"?

O Projeto de Lei (PL), de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), propõe a criação de um incentivo fiscal para brasileiros que desejam adquirir sua primeira arma de fogo de uso permitido. A lógica por trás da proposta é remover o "peso do Estado" sobre um item que, segundo o texto, é essencial para a legítima defesa.

O programa prevê a isenção total de impostos federais, como:

  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
  • PIS e COFINS

Atualmente, a carga tributária sobre armas no Brasil pode representar quase metade do valor final do produto. Com a isenção, espera-se que o preço de uma pistola ou revólver de entrada sofra uma redução significativa, tornando o item acessível para classes econômicas que antes eram excluídas do mercado legal.

2. A Ironia Política e a Estratégia do Congresso

A aprovação do projeto ocorre em um momento de equilíbrio delicado. Se por um lado o Governo Lula mantém um discurso oficial focado no controle de armas, por outro, a "Bancada da Segurança" no Congresso demonstra força para pautar temas que agradam à sua base eleitoral.

Analistas políticos sugerem que o nome "Minha Primeira Arma" é uma provocação direta aos programas sociais clássicos do PT, como o "Minha Casa, Minha Vida". A estratégia é tratar a segurança privada como uma demanda social legítima, especialmente em áreas onde a presença do Estado na segurança pública é falha.

3. Requisitos e Rigor: O que não muda?

É vital que o eleitor e o leitor entendam que a isenção de impostos não significa "vale-tudo". O projeto aprovado mantém as exigências rigorosas do Estatuto do Desarmamento e das portarias recentes da Polícia Federal.

Para ingressar no programa, o interessado deve:

  1. Ter idade mínima de 25 anos (salvo exceções previstas em lei).
  2. Comprovar aptidão psicológica através de profissionais credenciados.
  3. Realizar teste de aptidão técnica com instrutores autorizados.
  4. Apresentar certidões negativas de antecedentes criminais.
  5. Declarar efetiva necessidade perante a Polícia Federal.

4. O Impacto Econômico e o Setor de Defesa

A indústria de armas nacional, liderada por empresas como a Taurus e a Imbel, observa o movimento com otimismo moderado. A redução dos impostos federais poderia reaquecer o mercado interno, que sofreu retrações após as mudanças de decretos no início de 2023.

Entretanto, o Ministério da Fazenda já sinaliza preocupação com a renúncia fiscal. Em um ano em que o governo busca o déficit zero, abrir mão de impostos sobre armas pode gerar atritos dentro da própria base governista.

5. Próximos Passos: O Caminho até a Sanção

Apesar da vitória na Comissão de Segurança Pública, o projeto ainda tem um longo caminho:

  • Comissão de Finanças e Tributação (CFT): Onde será analisado se a isenção cabe no orçamento federal.
  • Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): Para validar se o projeto não fere a Constituição.
  • Plenário da Câmara e Senado: Onde o debate ideológico deve atingir o seu ápice antes de seguir para a sanção ou veto presidencial.