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Publicado: 17 de fevereiro de 2026 às 10:59

Tarcísio de Freitas critica desfile em homenagem a Lula e vê "uso político" do Carnaval

Governador de São Paulo afirma que exaltação de figura política na Sapucaí distorce o caráter cultural da festa e levanta questões sobre o equilíbrio eleitoral.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), juntou-se ao coro de críticas contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro. Em declarações recentes, o chefe do Executivo paulista manifestou preocupação com o que chamou de "instrumentalização" de uma das maiores manifestações culturais do país para fins de promoção pessoal e política.

Tarcísio argumentou que, embora o Carnaval seja historicamente um espaço de liberdade e crítica social, a transformação de um desfile em uma peça de exaltação direta a um governante em exercício fere o princípio da impessoalidade. Para o governador, o episódio cria um precedente perigoso ao utilizar a estrutura de um evento amplamente subsidiado e transmitido para reforçar narrativas partidárias, o que pode impactar a percepção pública em períodos que antecedem disputas eleitorais.

A postura do governador paulista ecoa as preocupações levantadas por partidos de oposição, que já acionaram a Justiça Eleitoral sob alegação de abuso de poder econômico e propaganda antecipada. Tarcísio reforçou que o equilíbrio democrático depende de uma separação clara entre a máquina pública, o fomento à cultura e a promoção de lideranças políticas. Ele destacou que o foco das festividades deveria ser a celebração da identidade nacional e não a construção de cultos à personalidade.

Aliados de Tarcísio e parlamentares do seu grupo político também apontaram que a homenagem ocorreu em um contexto de intensa polarização, o que acaba por dividir o público em um momento que deveria ser de união. O questionamento central do grupo político liderado pelo governador recai sobre o financiamento do evento e se os recursos destinados à promoção do turismo foram, na prática, desviados para uma finalidade de propaganda ideológica.

A Secretaria de Comunicação do governo federal, por sua vez, mantém a posição de que não houve interferência no conteúdo artístico da agremiação e que os repasses financeiros seguiram critérios técnicos estabelecidos para todas as escolas do Grupo Especial. Defensores do desfile argumentam que a trajetória de Lula é um fato histórico e social que pertence ao imaginário popular, legitimando a escolha do enredo pela comunidade da escola.

Com a manifestação de Tarcísio de Freitas, uma das principais lideranças da direita no Brasil, o debate sobre o desfile da Sapucaí deixa de ser apenas uma polêmica carnavalesca para se consolidar como um tema central na agenda política nacional. A repercussão do caso agora aguarda os desdobramentos jurídicos no Tribunal Superior Eleitoral, que deverá avaliar se a liberdade de expressão das escolas de samba possui limites quando confrontada com a legislação eleitoral vigente.