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Publicado: 18 de fevereiro de 2026 às 08:37

Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM

Medida ocorre após órgão regulador identificar deterioração financeira, falta de liquidez e violações de normas em instituições ligadas ao Banco Master.

O Banco Central do Brasil anunciou, nesta quarta-feira, a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. A decisão foi fundamentada pela grave deterioração da situação financeira das instituições, pela ausência de liquidez e pelo descumprimento recorrente de determinações e normas regulatórias. Ambas as empresas integravam o conglomerado do Banco Master até o segundo semestre do ano passado, quando foram vendidas ao empresário Augusto Lima, figura central em recentes investigações financeiras.

Segundo o comunicado emitido pela autoridade monetária, o Banco Pleno é classificado como uma instituição de pequeno porte, detendo cerca de 0,04% dos ativos totais e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional. Apesar do tamanho reduzido, a intervenção do Banco Central visa proteger a integridade do sistema e os direitos dos credores, uma vez que as tentativas de recuperação ou venda das instituições em meio à crise de liquidez não obtiveram sucesso.

A liquidação extrajudicial acarreta consequências imediatas para o controle das instituições. De acordo com a legislação vigente, os bens dos administradores e controladores ficam indisponíveis para garantir o pagamento de eventuais prejuízos causados. O Banco Central informou ainda que as investigações sobre a conduta dos gestores podem resultar em sanções administrativas e comunicações formais a outras autoridades, como o Ministério Público Federal, caso sejam identificados indícios de crimes.

O Banco Pleno vinha enfrentando dificuldades crescentes desde a sua separação do Banco Master. O novo proprietário, Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, chegou a tentar a venda da instituição nos últimos meses em uma tentativa de conter a crise de capital. No entanto, o agravamento do cenário financeiro e as violações apontadas pelo órgão regulador tornaram a continuidade das operações inviável.

O episódio ocorre em um momento de maior vigilância do Banco Central sobre instituições de médio e pequeno porte, reforçando a postura rigorosa do regulador quanto ao cumprimento de padrões prudenciais. Com a liquidação em curso, o processo agora segue para a fase de apuração do patrimônio e dos passivos, enquanto o mercado financeiro monitora possíveis reflexos em outros ativos ligados ao setor de crédito consignado e às operações de corretagem.