Conta de luz deve subir acima da inflação em 2026 e pressionar orçamento doméstico
Consultorias projetam aumento real de até 4% na tarifa residencial; salto de 15,4% nos subsídios do setor e fim da "descotização" da Eletrobras estão entre as principais causas da pressão tarifária.
O consumidor brasileiro enfrentará um novo ciclo de encarecimento da energia elétrica em 2026. Projeções de consultorias especializadas, como a PSR e a Logos Economia, indicam que a tarifa residencial terá um reajuste real superior à inflação. Enquanto o Boletim Focus estima o IPCA em 3,91% para o ano, a alta na conta de luz deve variar entre 4% e 5,6%. O movimento dá continuidade ao cenário de 2025, ano em que a energia elétrica saltou 12,3%, esmagando o poder de compra da população frente a uma inflação de 4,26% no período anterior.
O peso dos subsídios e da descotização
A explicação para o aumento reside em componentes que vão além do consumo imediato. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta que os subsídios embutidos na conta — que custeiam programas como a Tarifa Social e incentivos para fontes solar e eólica — somarão R$ 47,8 bilhões em 2026, uma alta de 15,4% em relação ao ano passado. Somado a isso, o processo de "descotização" das usinas da Eletrobras, iniciado na privatização de 2022, chega ao ápice: a exigência de venda de energia a preços reduzidos será zerada, forçando a compra de energia a valores de mercado.
Fatores climáticos e bandeiras tarifárias
O clima em 2026 também atua como vilão do bolso. Especialistas alertam para a probabilidade de acionamento das bandeiras amarela e vermelha no segundo semestre devido ao fenômeno El Niño. A redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste deve comprometer o nível dos reservatórios das hidrelétricas, obrigando o Operador Nacional do Sistema (ONS) a acionar termelétricas — uma fonte de geração significativamente mais cara e que é repassada diretamente ao consumidor por meio dos encargos adicionais na fatura.
Lobbies e rigidez regulatória
Para associações como a Abraceel, a conta de luz brasileira tornou-se refém de lobbies políticos e contratos de longuíssimo prazo. A manutenção de subsídios para painéis solares em telhados de alta renda e a contratação compulsória de térmicas a gás e pequenas hidrelétricas (conhecidas como "jabutis" legislativos) impedem que o preço da energia caia, mesmo em períodos de abundância hídrica. Entre 2010 e 2024, a tarifa de energia subiu 177%, quase 55 pontos percentuais acima da inflação acumulada, consolidando a eletricidade como um dos maiores custos fixos do país.
