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Publicado: 27 de fevereiro de 2026 às 09:32

Redução da jornada para 36 horas pode criar até 4,5 milhões de empregos, aponta Unicamp

Estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho indica que medida impulsionaria a economia e elevaria a produtividade no Brasil

Um estudo inédito realizado pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), vinculado à Unicamp, estima que a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais tem o potencial de gerar entre 2,2 milhões e 4,5 milhões de novos postos de trabalho no Brasil. A análise fundamenta o debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1 e a reorganização do tempo de serviço sem redução salarial.

De acordo com os pesquisadores, a variação na estimativa de novas vagas depende do ritmo de adesão das empresas e de como o mercado absorveria a demanda por mão de obra para cobrir as horas reduzidas. O cenário mais otimista, de 4,5 milhões de empregos, considera uma substituição direta e integral do tempo de trabalho, enquanto o cenário conservador prevê que parte dessa lacuna seja suprida por ganhos de produtividade e automação.

O levantamento destaca que a mudança não traria apenas benefícios sociais, mas também econômicos. O aumento no número de pessoas empregadas elevaria a massa salarial em circulação, estimulando o consumo interno e, consequentemente, a arrecadação de impostos. O estudo argumenta que trabalhadores menos exaustos tendem a ser mais eficientes, reduzindo gastos das empresas com afastamentos médicos e rotatividade de pessoal.

Setores de serviços e comércio seriam os mais impactados pela medida, uma vez que operam frequentemente em regimes de escalas rígidas. Para os especialistas da Unicamp, a transição para uma jornada menor é uma tendência global que acompanha o desenvolvimento tecnológico, permitindo que o trabalhador tenha mais tempo para lazer, educação e convívio familiar, o que retroalimenta a economia de serviços.

Representantes do setor produtivo, no entanto, demonstram cautela em relação aos custos operacionais. Entidades patronais argumentam que uma redução abrupta poderia elevar os custos de produção, especialmente para pequenas e médias empresas, que teriam dificuldades em contratar novos funcionários para manter o funcionamento atual.

O debate sobre a redução da jornada ganhou força no Congresso Nacional e nas redes sociais nos últimos meses. O estudo da Unicamp deve servir como subsídio para as comissões que analisam o impacto fiscal e social da proposta, oferecendo dados técnicos para contrapor as preocupações sobre o impacto no Produto Interno Bruto (PIB) e na inflação.