Escândalo Banco Master: Vazamento de mensagens cita Alexandre de Moraes e gera crise no STF
Reportagem do jornal O Globo revela diálogos interceptados pela PF entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro; magistrado nega irregularidades e classifica informações como "ilação mentirosa"
Uma nova crise atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (6), após a divulgação de mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Vorcaro teria buscado auxílio do magistrado horas antes de ser preso, em novembro de 2025, para tentar "salvar" uma operação financeira da instituição.
Os dados, extraídos do celular de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero, sugerem que o banqueiro prestava contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e discutia detalhes de um inquérito sigiloso. Em uma das mensagens, registrada às 17h22 do dia de sua prisão, Vorcaro escreveu: "Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?". Segundo a perícia da PF, o ministro teria respondido minutos depois com uma mensagem de visualização única.
Reação de Alexandre de Moraes
Em nota oficial, o ministro Alexandre de Moraes negou veementemente o recebimento de tais mensagens. Ele classificou as informações publicadas como uma "ilação mentirosa" com o objetivo de atacar a credibilidade do STF. A defesa de Vorcaro, por sua vez, acionou o Supremo para investigar o vazamento do conteúdo do celular, alegando que as mensagens podem ter sido "editadas e tiradas de contexto".
Os Elos Políticos e a "Máfia dos Bancos"
Além do contato com o Judiciário, o material analisado pela PF expõe a vasta rede de influência de Vorcaro em Brasília, citando encontros com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em diálogos com sua noiva, Martha Graeff, o banqueiro demonstrava um tom beligerante contra o sistema financeiro tradicional, chegando a afirmar que "esse negócio de banco é igual máfia" e que "ninguém sai bem". As investigações também revelaram a existência de um grupo intitulado "A Turma", descrito pela PF como uma milícia privada contratada por Vorcaro para espionar e intimidar jornalistas (incluindo Lauro Jardim), autoridades e adversários.
Impacto no Mercado e no Governo
O colapso do Banco Master gerou um rombo estimado em R$ 17 bilhões, afetando milhares de clientes e consumindo quase um terço do caixa do Fundo Garante de Créditos (FGC).
- Bloqueio de Bens: A Justiça determinou o sequestro de R$ 22 bilhões do grupo.
- Investigação no Banco Central: Servidores do BC são suspeitos de receber propina para antecipar informações sigilosas ao banqueiro.
- Crise Política: O envolvimento de figuras do "Centrão" gera apreensão no Congresso e deve pautar os debates das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) ao longo de 2026.
Daniel Vorcaro segue preso na Penitenciária de Potim (SP), para onde foi transferido nesta quinta-feira (5). O caso é agora conduzido pelo ministro André Mendonça, após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria por "interesse institucional".
