Mercado cripto de US$ 78 bilhões do Irã entra no radar global em meio à guerra
Uso de ativos digitais por Teerã para contornar sanções e financiar operações militares acende alerta em Washington; Volume de transações cresce exponencialmente desde o início do conflito
Em meio à escalada militar no Oriente Médio, um novo campo de batalha digital ganha destaque: o robusto mercado de criptomoedas do Irã. Segundo reportagem do Valor Econômico publicada nesta quinta-feira (5), o ecossistema cripto iraniano, estimado em US$ 78 bilhões, tornou-se peça-chave na estratégia de sobrevivência econômica e militar do regime após a morte do aiatolá Ali Khamenei.
Fuga das Sanções e Financiamento
Com o Estreito de Ormuz praticamente paralisado e o sistema financeiro tradicional sob cerco total dos Estados Unidos, o Irã acelerou o uso de ativos digitais.
- Mineração Estatal: O governo iraniano utiliza sua infraestrutura de energia para minerar Bitcoin em larga escala, convertendo recursos naturais em liquidez global imediata.
- Pagamento de Importações: Relatórios de inteligência financeira indicam que Teerã está utilizando stablecoins e redes descentralizadas para pagar por suprimentos militares e bens essenciais, burlando o sistema SWIFT.
- Volume Recorde: Desde o início da "Guerra de 6 Dias" em 2026, o volume de negociações em exchanges locais e no mercado P2P (pessoa para pessoa) no Irã atingiu picos históricos, servindo também como reserva de valor para uma população que teme o colapso do Rial.
A Reação de Washington
O gigantismo desse mercado — que rivaliza com o PIB de muitas nações — acendeu o alerta máximo no Departamento do Tesouro dos EUA. Donald Trump sinalizou que novas ordens executivas podem mirar especificamente em mineradoras e plataformas que facilitem o fluxo de capital para a Guarda Revolucionária.
Analistas apontam que o Irã se tornou o caso de teste mais sofisticado do mundo para uma "criptoeconomia de guerra". A capacidade do país de movimentar bilhões de dólares fora do alcance de Washington é vista como um dos principais motivos pelos quais o regime consegue sustentar uma ofensiva em múltiplas frentes, mesmo sob bombardeios sistemáticos.
