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Publicado: 07 de março de 2026 às 10:32

Morre Luiz Phillipi Mourão, o 'Sicário' do Caso Banco Master

Advogado confirma óbito após conclusão de protocolo de morte encefálica; braço direito de Daniel Vorcaro estava internado em BH desde tentativa de suicídio na prisão

O Caso Banco Master registrou um desfecho trágico na noite desta sexta-feira (6). Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário" e apontado como o principal executor de ações de intimidação a mando do banqueiro Daniel Vorcaro, teve sua morte confirmada pelo advogado Robson Lucas da Silva. Mourão faleceu no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, às 18h55, após o encerramento do protocolo de morte encefálica.

Mourão estava sob custódia da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero e tentou contra a própria vida na quarta-feira (4), em sua cela na Superintendência da PF em Minas Gerais. O caso gerou intensa confusão inicial, com a PF chegando a anunciar o óbito precocemente, informação que foi contraditada pelo hospital até a conclusão oficial do protocolo médico.

Quem era o "Sicário"?

Luiz Phillipi era considerado peça-chave nas investigações. Mensagens interceptadas pela PF no celular de Daniel Vorcaro revelaram que Mourão liderava um grupo de inteligência paralela — apelidado de "A Turma" — encarregado de monitorar adversários e intimidar jornalistas e autoridades.

  • Plano contra Jornalista: Mourão estava envolvido na orquestração de uma agressão forjada contra Lauro Jardim, do jornal O Globo.
  • Histórico Criminal: Além do caso Master, ele era réu por lavagem de dinheiro e organização criminosa, acusado de movimentar R$ 24,9 milhões em esquemas de pirâmide financeira.

Investigação das Circunstâncias

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que as circunstâncias da morte estão sendo rigorosamente apuradas. Segundo a corporação, todo o atendimento inicial e o monitoramento da cela foram filmados, e as imagens não apresentam pontos cegos. O corpo de Mourão foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

A morte de "Sicário" representa uma perda significativa para a instrução processual, uma vez que ele detinha informações valiosas sobre as conexões políticas e o funcionamento interno do esquema de corrupção e espionagem do Banco Master. Daniel Vorcaro, por meio de sua defesa, nega qualquer envolvimento em ordens de violência e alega que as mensagens foram retiradas de contexto.