Publicações
Publicado: 08 de março de 2026 às 09:49

Novo Nordisk anuncia projeto piloto para oferecer Wegovy no SUS

Medicamento para obesidade será distribuído em centros de referência em Porto Alegre e no Rio de Janeiro para gerar dados sobre eficácia na rede pública

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou o lançamento de um programa piloto que disponibilizará o medicamento Wegovy (semaglutida) em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que integra um projeto global da companhia, tem como objetivo avaliar os impactos clínicos, sociais e econômicos do tratamento medicamentoso contra a obesidade grave dentro da rede pública de saúde brasileira.

O programa será implementado inicialmente em três centros de atendimento. Já estão confirmados o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro. Uma terceira unidade, de gestão municipal, ainda será selecionada para completar o grupo de estudos. O projeto terá duração inicial de dois anos e os pacientes receberão, além da medicação, um acompanhamento multidisciplinar especializado.

A seleção dos participantes ficará a cargo das próprias instituições parceiras, seguindo critérios técnicos de elegibilidade. O foco principal será o atendimento de pacientes com obesidade associada a comorbidades graves, como doenças cardiovasculares e diabetes. A Novo Nordisk informou que não haverá abertura para inscrições voluntárias de novos pacientes, priorizando aqueles que já estão em tratamento nos centros selecionados.

Atualmente, o SUS não oferece tratamentos medicamentosos para a obesidade, limitando a assistência a orientações nutricionais, estímulo à atividade física e, em casos específicos, cirurgias bariátricas. Com a coleta de dados deste piloto, a expectativa é gerar evidências que possam embasar futuras decisões do Ministério da Saúde e da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) sobre a inclusão definitiva dessas terapias na rede pública.

Além do fornecimento das canetas aplicadoras, o projeto prevê a capacitação de profissionais de saúde e o monitoramento independente dos resultados. O Brasil é um dos primeiros países a receber a iniciativa, ao lado da Dinamarca e de nações nas Ilhas do Pacífico. Segundo dados recentes do Ministério da Saúde, cerca de 24% da população brasileira é considerada obesa, condição que eleva significativamente os custos com hospitalizações e tratamentos de doenças crônicas relacionadas ao excesso de peso.