Delegado da PF que atuou em inquéritos sobre Bolsonaro e 8 de janeiro é nomeado assessor de Moraes no STF
Fábio Alvarez Shor passará a integrar o gabinete do ministro em Brasília; policial conduziu investigações sensíveis nos últimos anos.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nomeou o delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar como seu assessor especial no tribunal. A nomeação foi oficializada nesta terça-feira e marca o reforço do gabinete do magistrado com um dos nomes mais experientes em investigações de alta complexidade no país.
Shor teve papel central em alguns dos inquéritos mais sensíveis conduzidos pela Polícia Federal nos últimos anos. Ele esteve à frente das apurações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o caso das joias sauditas e a investigação sobre a suposta falsificação de cartões de vacina. O delegado também atuou diretamente nas diligências relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.
A chegada do delegado ao STF ocorre em um momento em que Moraes acumula a relatoria de processos que ainda demandam análise técnica minuciosa de provas e depoimentos. No novo cargo, Shor deve auxiliar o ministro na interlocução técnica e no acompanhamento de diligências, utilizando sua expertise em inteligência e instrução processual.
Trajetória e repercussão no Judiciário
Dentro da Polícia Federal, Fábio Shor é reconhecido pelo perfil técnico e pela discrição em suas operações. Sua atuação nos inquéritos das milícias digitais e de supostas tentativas de golpe de Estado o colocou em evidência no cenário jurídico nacional, sendo peça-chave na articulação entre a corporação e o Judiciário.
A movimentação de delegados da PF para o Supremo não é inédita, mas a escolha de um nome com o histórico de Shor reforça a estrutura de trabalho de Moraes em frentes que ainda possuem desdobramentos pendentes. A nomeação é vista nos bastidores de Brasília como um movimento para dar celeridade e robustez técnica às decisões do gabinete.
A partir de agora, o delegado se desliga das funções diretas na Polícia Federal para assumir o posto comissionado no tribunal. Não há previsão de quanto tempo ele permanecerá na assessoria, mas a expectativa é que ele atue nos principais processos sob sigilo que tramitam na Corte.
