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Publicado: 17 de março de 2026 às 09:36

Mundo terá mais robôs humanoides do que carros até 2060, projeta Bank of America

Relatório aponta que escassez de mão de obra e envelhecimento populacional impulsionarão frota de 3 bilhões de unidades, com a maioria operando dentro das casas.

A revolução da robótica está prestes a superar a indústria automotiva em escala global nas próximas décadas. Um relatório recente do BofA Global Research (Bank of America) projeta que a população de robôs humanoides atingirá a marca de 3 bilhões de unidades até 2060. O número é o dobro da frota mundial de carros atual, estimada em 1,5 bilhão de veículos. Segundo o banco, cerca de 62% desses robôs — ou 2 bilhões de unidades — estarão integrados ao ambiente doméstico, auxiliando em tarefas do dia a dia.

Diferente do que sugere a ficção científica, o motor dessa transformação não é apenas o avanço tecnológico, mas uma necessidade demográfica urgente. Com o envelhecimento das populações e o declínio da força de trabalho em países como Japão, Alemanha e Coreia do Sul, os robôs surgem como a solução para a escassez de mão de obra e a inflação salarial em setores críticos, como logística, manufatura e cuidados com idosos.

Das fábricas para as residências

O cronograma de adoção prevê etapas distintas. Até 2027, a grande maioria (72%) das instalações de humanoides estará concentrada em armazenagem, logística e na indústria automotiva. Empresas como a transportadora UPS e a montadora Tesla já estão em fases avançadas de teste ou implementação desses auxiliares em suas redes de suprimentos. O robô Optimus, da Tesla, já realiza tarefas em fábricas da companhia, com previsão de vendas ao público geral até o fim do próximo ano.

A transição para o uso doméstico em larga escala deve ocorrer a partir da década de 2040. O custo de fabricação é o principal catalisador: enquanto robôs ocidentais ainda custam cerca de US$ 100 mil, modelos fabricados na China já têm custos de materiais em torno de US$ 35 mil, com projeção de queda para menos de US$ 17 mil até 2030. Startups como a norueguesa 1X Technologies já experimentam modelos de aluguel por US$ 499 mensais, tornando a tecnologia financeiramente acessível para nichos específicos.

Desafios e ceticismo no setor

Apesar das projeções otimistas do mercado financeiro, a trajetória enfrenta ceticismo por parte de especialistas em robótica. Pesquisadores do MIT, como Rodney Brooks, argumentam que o conceito de humanoides domésticos versáteis ainda enfrenta barreiras técnicas imensas e que robôs mais eficientes podem não ter aparência humana. Há também discussões sobre o impacto social e a segurança cibernética de ter dispositivos autônomos dentro das salas de estar.

O Bank of America reconhece os obstáculos regulatórios e tecnológicos, mas enfatiza que a pressão econômica é real e o capital já está comprometido. O investimento no setor saltou de US$ 700 milhões em 2018 para US$ 4,3 bilhões em 2025. Com mais de 50 empresas desenvolvendo protótipos ativamente, a curva de crescimento projetada para os robôs humanoides é mais íngreme do que a observada no início da era dos veículos elétricos, sinalizando o início de uma nova era de consumo global.