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Publicado: 19 de março de 2026 às 10:35

Lula critica alta dos combustíveis e afirma que “muita gente tira proveito da desgraça”

Presidente questiona repasse de preços em meio a tensões com caminhoneiros e atribui volatilidade do petróleo a conflitos geopolíticos entre EUA e Irã.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom nesta quarta-feira (18) ao comentar a recente alta nos preços da gasolina, do diesel e do etanol no Brasil. Durante um evento em Brasília voltado a mulheres da pesca e aquicultura, o petista afirmou que a elevação dos valores nas bombas ocorre porque "tá cheio de gente no nosso meio que gosta de tirar proveito da desgraça". Lula questionou por que o preço do álcool aumentou se o produto não deriva do petróleo e por que a gasolina sofre reajustes se o país é autossuficiente na produção de óleo bruto.

As declarações surgem em um momento de pressão sobre o governo, com grupos de caminhoneiros ameaçando uma nova greve nacional devido aos custos logísticos. O presidente defendeu as medidas adotadas pelo governo federal, como a isenção de PIS/Cofins e concessão de subvenções, para evitar que os preços disparassem ainda mais. Segundo ele, "não faz sentido" que o cidadão brasileiro pague a conta de conflitos que ocorrem a milhares de quilômetros de distância.

Impacto geopolítico e críticas à ONU

Lula estabeleceu uma relação direta entre as tensões no Oriente Médio e o custo de vida no Brasil. Ele citou as ações militares lideradas pelo governo de Donald Trump contra o Irã como o principal fator para o barril de petróleo ter saltado de US$ 65 para cerca de US$ 120. Para o presidente, o Brasil está sendo penalizado pela "irresponsabilidade" dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), aos quais acusou de serem os maiores produtores de armas e detentores de tecnologia nuclear.

"Estamos longe de Israel, por que temos que pagar o preço do combustível?", questionou o petista. A retórica presidencial busca isolar o governo da responsabilidade direta pela inflação de energia, transferindo a culpa para a instabilidade global e para o que classificou como oportunismo de setores da cadeia de distribuição nacional.

Resposta às demandas dos caminhoneiros

Paralelamente ao discurso político, o Ministério dos Transportes anunciou medidas técnicas para tentar conter a insatisfação dos transportadores de carga. O ministro Renan Filho informou que o governo passará a utilizar um novo sistema de fiscalização eletrônica, em parceria com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), para monitorar o cumprimento das tabelas de frete em todo o país.

A estratégia prevê a suspensão do registro de contratação de frete para empresas que descumprirem as normas legais, atendendo a uma reivindicação histórica da categoria. Com o compartilhamento de dados fiscais (BI), o governo afirma ter agora as ferramentas necessárias para acompanhar cada frete realizado em tempo real, tentando garantir que a subida do diesel não inviabilize a operação dos motoristas autônomos.