Americanas pede fim da recuperação judicial e vende marcas Imaginarium e Puket
Varejista afirma ter cumprido obrigações do plano de pagamento; marcas da unidade Uni.Co foram arrematadas por R$ 152,9 milhões pela BandUP!.
A Americanas S.A. (AMER3) protocolou na noite desta quarta-feira (25) o pedido formal para o encerramento de seu processo de recuperação judicial, iniciado em janeiro de 2023 após a descoberta de uma fraude contábil de R$ 20 bilhões. O requerimento foi apresentado à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e abrange todo o grupo, incluindo as subsidiárias B2W, JSM Global e ST Importações. Segundo a companhia, a solicitação baseia-se no cumprimento integral das obrigações previstas no plano homologado há dois anos.
O movimento ocorre simultaneamente à alienação da unidade Uni.Co, que detém as marcas Imaginarium e Puket. O ativo foi vendido para a empresa BandUP! pelo valor de R$ 152,9 milhões. A venda era uma das condições previstas no acordo com credores para a injeção de capital e redução do endividamento, que chegou a somar R$ 42,5 bilhões no auge da crise. A conclusão da transferência ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Desempenho em 2025 e Reestruturação Operacional
Junto ao pedido de saída da RJ, a Americanas divulgou seus resultados consolidados de 2025, que mostram uma empresa significativamente menor, mas com sinais de estabilização operacional nas lojas físicas:
- Prejuízo Líquido: R$ 271 milhões (uma melhora em relação ao lucro contábil de R$ 8,3 bilhões em 2024, que havia sido inflado por efeitos extraordinários da reestruturação de dívida).
- Receita Líquida: R$ 12,3 bilhões (queda de 1,2% anual).
- Ebitda: R$ 1,1 bilhão (recuo de 33,2%).
- Corte de Lojas: A rede encerrou o ano com 1.452 unidades, contra as 1.855 que possuía antes da crise.
O CEO da Americanas, Fernando Soares, destacou que a antecipação do fim do processo reflete a capacidade de transformação do negócio. A empresa agora foca na geração de caixa e em parcerias estratégicas, como o recente acordo com o Magazine Luiza, que permite à Americanas vender seus produtos no marketplace da concorrente após o encolhimento drástico de sua própria operação digital (que registrou queda de 68,9% nas vendas em 2025).
