Moraes viajou em aviões de empresa de fundador do Banco Master, diz jornal
Segundo a Folha de S.Paulo, ministro do STF realizou oito viagens em aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro; magistrado afirma que deslocamentos foram para eventos institucionais.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou ao menos oito viagens em aviões pertencentes a uma empresa de Daniel Vorcaro, fundador e controlador do Banco Master. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, que cruzou dados de planos de voo com agendas oficiais do magistrado. Os deslocamentos teriam ocorrido entre os anos de 2023 e 2024.
As aeronaves utilizadas nos trajetos pertencem à V3 Investimentos, empresa que tem Vorcaro como principal acionista. O Banco Master, instituição comandada pelo empresário, possui processos em tramitação no Poder Judiciário, embora, segundo informações preliminares, nenhum deles esteja sob a relatoria direta de Moraes no Supremo.
Contexto dos deslocamentos e justificativa
As viagens identificadas pela reportagem incluem trajetos entre Brasília e São Paulo, além de destinos onde o ministro participou de palestras e fóruns jurídicos. Em alguns desses eventos, o próprio Daniel Vorcaro ou representantes de suas empresas figuravam como patrocinadores ou convidados, prática comum em congressos de direito que reúnem membros do Judiciário e da iniciativa privada.
Em resposta aos questionamentos, a assessoria do ministro Alexandre de Moraes informou que os deslocamentos foram realizados para o cumprimento de agendas institucionais e participações em eventos acadêmicos. O gabinete destacou que as viagens foram organizadas pelas entidades promotoras dos eventos, responsáveis pela logística de transporte dos palestrantes, e que o ministro não possui relação pessoal com o dono das aeronaves.
Regras de conduta e transparência
O episódio levanta discussões sobre as normas de transparência e o Código de Ética da Magistratura, que orienta juízes a evitarem situações que possam suscitar dúvidas sobre sua imparcialidade. No entanto, não há, até o momento, registro de irregularidade formal nas viagens, uma vez que o uso de transporte cedido por organizadores de eventos é uma prática recorrente entre autoridades de diversos poderes.
Até o fechamento desta edição, o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro não haviam se manifestado detalhadamente sobre o uso das aeronaves da V3 Investimentos por parte do ministro. O caso segue repercutindo nos bastidores de Brasília, reforçando o debate sobre os limites das relações entre grandes grupos econômicos e membros das cortes superiores.
