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Publicado: 15 de abril de 2026 às 09:40

Governo articula manobra no Senado e derruba relatório da CPI do Crime Organizado

Troca estratégica de parlamentares às vésperas da votação garante rejeição do parecer que pedia o impeachment de ministros do STF.

Em uma movimentação política coordenada, o governo federal conseguiu barrar a aprovação do relatório final da CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (14). O texto, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi rejeitado por 6 votos a 4 após uma manobra de última hora que alterou a composição da comissão, substituindo parlamentares de oposição por nomes alinhados ao Palácio do Planalto.

A articulação envolveu a troca dos senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), que eram favoráveis ao relatório, pelos senadores Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA). As mudanças foram viabilizadas por meio de ajustes nos blocos partidários, permitindo que a base governista assumisse cadeiras decisivas pouco antes do início da sessão deliberativa. Com os novos integrantes, o governo consolidou a maioria necessária para arquivar as conclusões do relator.

O relatório rejeitado continha pedidos de indiciamento e abertura de processos de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Alessandro Vieira acusava os magistrados de crimes de responsabilidade e de proferirem decisões que, segundo ele, teriam blindado alvos de investigação e obstruído o avanço da própria CPI sobre o caso do Banco Master.

Após a derrota, o relator criticou duramente a interferência do Executivo, afirmando que o governo "atravessou a rua para dar um abraço no STF" em prejuízo das investigações. Segundo Vieira, a manobra feriu o decoro da Casa e serviu para proteger autoridades de um escrutínio necessário. Por outro lado, parlamentares governistas justificaram o voto contrário alegando que o relatório havia se desviado de seu objetivo original de combater facções criminosas para se tornar uma plataforma de ataque institucional ao Judiciário.

Com a rejeição do parecer de Alessandro Vieira e a ausência de um texto alternativo aprovado, a CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos sem um relatório final oficial. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não concedeu prazo para prorrogação das atividades, o que leva ao arquivamento das propostas legislativas e das recomendações de indiciamento levantadas durante os quatro meses de funcionamento do colegiado.