Publicações
Publicado: 30 de abril de 2026 às 10:00

Após rejeição histórica no Senado, Jorge Messias se reúne com Lula no Palácio do Planalto

Advogado-Geral da União teve nome barrado para o STF em votação no Plenário; Governo avalia nova estratégia para a Suprema Corte

O cenário político em Brasília foi sacudido na noite desta terça-feira pela rejeição do nome de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a vaga aberta na Corte, o atual Advogado-Geral da União (AGU) não obteve o apoio necessário no Plenário do Senado Federal, sofrendo uma derrota por 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis. O resultado representa um revés significativo para a articulação política do Governo Federal no Legislativo.

Imediatamente após o encerramento da votação, Messias seguiu para o Palácio do Planalto, onde se encontrou com o presidente Lula. O teor da reunião, que se estendeu pela noite, focou na análise do mapa de votação e na identificação das dissidências dentro da própria base aliada. Interlocutores do governo descreveram o clima como de "profunda reflexão", uma vez que a rejeição de um indicado ao STF é um evento extremamente raro na história da República brasileira, ocorrendo pela última vez ainda no século XIX, durante o governo de Floriano Peixoto.

A resistência ao nome de Jorge Messias no Senado foi alimentada por uma forte mobilização da oposição e por uma articulação silenciosa de setores do centro, que questionavam a proximidade do indicado com o núcleo político do Partido dos Trabalhadores. Durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias havia conseguido avançar com uma margem apertada, mas o clima de polarização no Plenário acabou selando o resultado negativo. Senadores de oposição comemoraram a decisão, classificando-a como uma demonstração de independência do Poder Legislativo.

Dentro do Planalto, a derrota é vista como um sinal de alerta sobre a governabilidade e a eficácia da liderança do governo no Senado. Ministros palacianos admitem reservadamente que houve falhas na contabilidade de votos e que o governo subestimou a força do bloco oposicionista em temas de alta sensibilidade jurídica. A rejeição de Messias coloca o presidente Lula em uma posição delicada, obrigando-o a buscar um novo nome que possua maior trânsito e aceitação entre os parlamentares para evitar um segundo desgaste consecutivo.

Agora, o governo federal inicia uma nova rodada de consultas com juristas e líderes partidários. Nomes que anteriormente figuravam em listas de cotados voltam ao radar, com o Palácio do Planalto priorizando perfis que possam ser vistos como mais técnicos ou de diálogo mais fluido com diferentes espectros políticos. Enquanto isso, Jorge Messias permanece no comando da AGU, onde deve continuar a exercer suas funções institucionais enquanto o Executivo recalcula sua estratégia para a composição da Suprema Corte