Bolsonaro pode passar por bloqueio no nervo frênico após cirurgia de hérnia; entenda o procedimento
Equipe médica avalia intervenção para tratar soluços persistentes, sequela de cirurgias abdominais; bloqueio anestésico é considerado seguro, mas com riscos como paralisia temporária do diafragma
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), internado no Hospital DF Star desde 24 de dezembro, foi submetido com sucesso a uma herniorrafia inguinal bilateral na manhã de Natal (25). O procedimento, que corrigiu hérnias na região da virilha em ambos os lados, durou cerca de quatro horas e transcorreu sem intercorrências, conforme boletins médicos. Agora, a equipe avalia a realização de um bloqueio anestésico no nervo frênico, marcado para possível avaliação na segunda-feira (29), visando controlar crises persistentes de soluço que afetam o ex-presidente há meses.
O nervo frênico origina-se na região cervical da coluna vertebral e inerva o diafragma, músculo essencial para a respiração. O bloqueio consiste na injeção de anestésico local próximo ao nervo, promovendo uma interrupção temporária de seus sinais nervosos. O objetivo é reduzir ou eliminar os espasmos diafragmáticos responsáveis pelos soluços refratários – aqueles que não respondem a tratamentos convencionais, como medicamentos, ajustes na dieta ou acupuntura.
Segundo o cirurgião-geral Cláudio Birolini, responsável pela operação, o procedimento é "relativamente seguro", mas não é o padrão ouro para tratamento de soluços. "Podemos ter complicações sobre as quais não temos controle, por exemplo, a paralisia do músculo do diafragma, com dificuldade de respiração", explicou à CNN. Em casos raros, a paralisia temporária pode exigir suporte ventilatório mecânico até o efeito do anestésico passar, geralmente em horas ou dias.
Os soluços de Bolsonaro são sequelas indiretas das múltiplas cirurgias abdominais realizadas desde o atentado a facada em setembro de 2018, que causaram aderências intestinais, alterações na motilidade gástrica e irritação nervosa. As crises agravam a hérnia ao aumentar a pressão intra-abdominal e prejudicam sono, alimentação e qualidade de vida. Recentemente, aliados relataram que os soluços voltaram de forma mais intensa, agravados por fatores como ansiedade e depressão relacionados à situação judicial do ex-presidente.
A internação inicial prevê de cinco a sete dias, mas pode ser estendida caso o bloqueio seja realizado. A alta dependerá da recuperação pós-operatória, incluindo capacidade de autocuidado básico. A autorização para a cirurgia e internação veio do ministro Alexandre de Moraes (STF), no contexto da prisão preventiva de Bolsonaro por investigações sobre suposta tentativa de golpe.
A equipe médica, composta por Birolini, o cardiologista Leandro Echenique e diretores do hospital, prioriza tratamentos conservadores antes de intervenções invasivas, avaliando se os benefícios superam os riscos. O caso reforça as sequelas de longo prazo do atentado de 2018, que já levaram Bolsonaro a pelo menos sete cirurgias abdominais. Atualizações sobre o estado de saúde serão divulgadas conforme a evolução clínica.
