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Publicado: 28 de dezembro de 2025 às 07:17

Rolex fatura US$ 500 milhões com relógios de segunda mão em 2025

Programa Certified Pre-Owned, lançado em 2023 para combater falsificações, deve atingir marca histórica; consumidores pagam até 30% a mais por certificação oficial

A Rolex deve faturar mais de US$ 500 milhões em 2025 com a venda de relógios de segunda mão por meio de seu programa oficial Certified Pre-Owned (CPO), segundo estimativas da plataforma de análise WatchCharts. Lançado em janeiro de 2023, o iniciativa já acumulou mais de US$ 900 milhões em vendas em menos de três anos, consolidando a marca suíça como líder no mercado de luxo usado.

O programa permite que revendedores autorizados comprem relógios usados, realizem autenticação e manutenção conforme padrões da Rolex, e obtenham certificação oficial com garantia internacional de dois anos. Os varejistas ficam com a maior parte dos lucros, definem preços livremente e executam o processo operacional. A Rolex abre mão de grande parte da margem financeira para priorizar a proteção da imagem da marca e o combate às falsificações – Rolex é a mais counterfeitada no segmento de luxo, com um mercado informal bilionário.

A alta demanda explica o sucesso: a produção anual de relógios novos fica em torno de 1,2 milhão de unidades, insuficiente para atender listas de espera longas nos canais oficiais. No mercado secundário, modelos Rolex frequentemente valem mais que novos, com consumidores dispostos a pagar prêmio de até 30% por peças certificadas, valorizando a garantia de autenticidade e funcionamento.

Segundo relatório do Morgan Stanley, a Rolex detém 32% do mercado global de relógios de luxo usados. A empresa pioneirou o modelo oficial de pre-owned, enquanto concorrentes hesitam por receio de canibalizar vendas novas ou desvalorizar a marca com descontos. Tentativas como a da Audemars Piguet enfrentaram resistência ao impor preços fixos.

O Certified Pre-Owned reforça a estratégia da Rolex de controlar o ciclo de vida de seus produtos, combatendo especuladores ("flippers") e falsificadores, ao mesmo tempo em que capitaliza indiretamente o mercado secundário multibilonário. A iniciativa destaca-se como exemplo de adaptação no setor de luxo, onde transparência e autenticação ganham peso em meio à expansão do comércio online e de revendas.