Efeitos do acordo Mercosul-União Europeia começam a ganhar forma com assinatura histórica
Após mais de duas décadas de negociações, Brasil e países do Mercosul avançam em pacto comercial com a UE, com promessas de crescimento econômico, mercados maiores e desafios setoriais
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia começa a entrar em sua fase decisiva e deve produzir efeitos práticos ao longo de 2026. O tratado, considerado um dos mais amplos já firmados pelo bloco sul-americano, cria uma extensa área de livre comércio envolvendo países que, juntos, representam centenas de milhões de consumidores e uma parcela relevante da economia global.
Com a implementação gradual do acordo, está prevista a redução e eliminação de tarifas alfandegárias sobre grande parte dos produtos comercializados entre os blocos. Para o Brasil, isso significa maior facilidade de acesso ao mercado europeu, especialmente para setores ligados ao agronegócio, como carnes, frutas, açúcar e grãos, além de oportunidades para a indústria exportadora.
Especialistas avaliam que o tratado pode contribuir para um crescimento gradual do Produto Interno Bruto, impulsionado pelo aumento das exportações, pela ampliação das relações comerciais e pela atração de investimentos estrangeiros. A expectativa é que empresas brasileiras passem a integrar de forma mais consistente cadeias globais de produção, elevando a competitividade do país.
Outro ponto destacado é a redução de custos para a indústria nacional, já que a abertura comercial tende a baratear a importação de insumos, máquinas e equipamentos vindos da Europa. Esse fator pode favorecer a modernização do parque industrial brasileiro, embora também aumente a concorrência interna.
Por outro lado, o acordo levanta preocupações em setores industriais mais sensíveis, que podem enfrentar maior competição de produtos europeus, conhecidos pelo alto nível tecnológico. Representantes do setor produtivo defendem políticas de transição, inovação e fortalecimento da indústria nacional para evitar perdas de competitividade.
O tratado também estabelece compromissos relacionados a padrões ambientais, sanitários e trabalhistas, tema que tem gerado debates tanto no Brasil quanto na Europa. Para especialistas, o cumprimento dessas exigências será fundamental para garantir equilíbrio nas relações comerciais e evitar barreiras não tarifárias.
Antes de produzir efeitos plenos, o acordo ainda precisa passar por processos de ratificação nos parlamentos nacionais e no Parlamento Europeu. A expectativa do governo brasileiro é que essa etapa seja concluída ainda em 2026, permitindo o início da aplicação das novas regras comerciais.
Além do impacto econômico, o acordo é visto como um movimento estratégico no cenário internacional, reforçando o papel do Mercosul e do Brasil em um contexto global marcado por disputas comerciais e tensões geopolíticas. Para analistas, o tratado sinaliza uma aposta na integração econômica e no fortalecimento do comércio multilateral como caminho para o desenvolvimento.
