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Publicado: 25 de janeiro de 2026 às 15:33

Paulo Gonet impõe estilo cauteloso e trava conclusões da Polícia Federal

Procurador-geral da República adota cautela em casos de grande repercussão, gerando incômodo em setores da Polícia Federal e no Supremo

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem consolidado um estilo de atuação marcado pela discrição e pela resistência a seguir automaticamente as conclusões da Polícia Federal (PF). Desde que assumiu o cargo, Gonet acumula uma série de divergências técnicas com a corporação, especialmente em inquéritos que envolvem figuras políticas de alto escalão. Esse "ritmo próprio" tem gerado debates nos bastidores do Judiciário sobre a agilidade e o desfecho de casos sensíveis para o país.

As discordâncias entre a PGR e a PF não se limitam apenas ao tempo de análise, mas atingem o mérito das investigações. Enquanto a polícia, em diversos relatórios, aponta indícios de crimes e sugere o indiciamento de investigados, Gonet tem optado por solicitar diligências complementares ou, em casos específicos, pelo arquivamento por falta de provas robustas. Para setores da PF, essa postura é vista como um obstáculo à conclusão de operações; já para aliados do procurador-geral, trata-se de um zelo necessário para evitar nulidades processuais e perseguições políticas.

Um dos pontos de maior tensão reside na forma como a PGR tem tratado as delações premiadas e as provas obtidas em meios digitais. Gonet tem demonstrado ceticismo em relação a conclusões baseadas exclusivamente em depoimentos de colaboradores, exigindo uma correlação mais direta com evidências materiais. Essa metodologia foi aplicada recentemente em decisões que pouparam parlamentares e magistrados de medidas cautelares mais severas, o que aprofundou o hiato entre os métodos de trabalho da polícia e do Ministério Público Federal.

Além das divergências técnicas, o ritmo adotado por Gonet é monitorado de perto por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Há uma percepção de que a demora em oferecer denúncias ou pedir arquivamentos definitivos mantém processos em um "limbo jurídico", o que pode impactar o cenário político e eleitoral. Apesar das pressões, o procurador-geral mantém o discurso de que sua atuação é estritamente técnica e pautada pela Constituição, reforçando a independência da PGR diante das outras instituições de controle e investigação.