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Publicado: 26 de janeiro de 2026 às 10:49

Investidor estrangeiro retira US$ 2 bilhões da Bolsa e migra para a renda fixa em dezembro

Movimentação indica cautela no mercado de ações, enquanto títulos públicos e privados brasileiros atraem US$ 5,3 bilhões em investimentos

O fluxo de capital estrangeiro no Brasil apresentou comportamentos opostos nos últimos meses de 2025. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (26), os investidores internacionais retiraram cerca de US$ 1,96 bilhão do mercado de ações brasileiro em dezembro. Em contrapartida, o interesse pela renda fixa nacional disparou, com uma entrada líquida de US$ 5,28 bilhões no mesmo período, consolidando uma tendência de busca por rentabilidade com menor exposição ao risco variável.

A retirada da Bolsa em dezembro, embora expressiva, foi menor do que a registrada no mesmo mês de 2024, quando o saldo negativo atingiu US$ 3,08 bilhões. No acumulado de 2025, o investimento estrangeiro em ações fechou o ano com um déficit de US$ 4,64 bilhões. O cenário reflete a volatilidade do mercado acionário e as incertezas macroeconômicas que levaram os grandes fundos globais a reduzirem suas posições em ativos de maior risco no Brasil.

Por outro lado, o desempenho da renda fixa superou as expectativas. Os US$ 20,2 bilhões aplicados por estrangeiros em títulos negociados no mercado doméstico ao longo de todo o ano de 2025 mostram que os juros elevados continuam sendo o principal atrativo para o capital externo. Esse movimento de migração da renda variável para a fixa é comum em períodos de instabilidade política ou econômica, onde o investidor prioriza a preservação do capital por meio de taxas garantidas.

Além dos dados de mercado, o Banco Central também atualizou os números das viagens internacionais. Em 2025, os brasileiros gastaram US$ 13,85 bilhões a mais no exterior do que os estrangeiros desembolsaram no Brasil, um déficit superior aos US$ 12,33 bilhões registrados em 2024. A combinação entre a saída de recursos da Bolsa e o aumento dos gastos lá fora acende um alerta para a balança de serviços, embora o forte aporte na renda fixa ajude a equilibrar a entrada de dólares no país.