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Publicado: 26 de janeiro de 2026 às 11:05

Troca de comando na Heineken ocorre em meio a queda de consumo no mercado brasileiro

Saída de CEO global coincide com retração de volumes no País e pressão sobre margens de lucro; concorrência com apostas esportivas e clima frio explicam baixa no setor

A Heineken enfrenta um período de transição estratégica em um cenário desafiador para a indústria de bebidas no Brasil. O anúncio da saída do CEO global, Dolf van den Brink, ocorre em um momento em que a companhia lida com uma queda acentuada nos volumes de venda na América Latina, especialmente no mercado brasileiro. A retração do setor, estimada entre 5% e 6% para o fechamento de 2025, impõe uma pressão adicional sobre a nova liderança, que herda o desafio de rentabilizar investimentos pesados em expansão de capacidade produtiva.

Diversos fatores explicam o desaquecimento do mercado cervejeiro nacional. Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o menor número de dias quentes e feriados prolongados em 2025 reduziu as ocasiões de consumo. Além disso, a indústria aponta um fenômeno inusitado: a competição pelo gasto discricionário do brasileiro com as apostas esportivas (bets). Com o orçamento das famílias mais apertado devido aos juros elevados, parte do dinheiro que seria destinado ao lazer e à cerveja tem migrado para as plataformas de apostas online.

Apesar da baixa nos volumes, a Heineken mantém o ritmo de investimentos, destacando-se a construção da nova fábrica em Passos (MG). Analistas do mercado financeiro, no entanto, alertam para o risco dessa estratégia em um ambiente de demanda fragilizada, o que pode alongar o prazo de retorno do capital investido. Para tentar mitigar a pressão sobre as margens, a empresa retomou o repasse de preços em julho de 2025, após um longo período de taxas congeladas, sinalizando uma busca por maior equilíbrio financeiro em detrimento do volume bruto.

O setor projeta uma leve recuperação para 2026, impulsionada por eventos como a Copa do Mundo e uma base de comparação mais favorável. Contudo, especialistas acreditam que uma virada consistente dependerá mais de fatores climáticos e do aumento das ocasiões de consumo do que propriamente de uma melhora na renda das famílias. Para a Heineken, o sucesso da nova gestão passará pela capacidade de navegar em um mercado onde o consumidor continua comprando, mas em menor quantidade e com maior seletividade financeira.