Waack: Caso Master revela o 'extermínio' da imagem das instituições e o peso do patrimonialismo
Em análise ácida sobre os desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master, o jornalista William Waack afirma que o cenário político e jurídico brasileiro atingiu um novo nível de deterioração.
O Extermínio da Imagem do Supremo
Waack destaca que o STF foi forçado a sair de sua posição de juiz para se tornar protagonista de "notas e desmentidos". O foco está no comportamento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes:
- Dias Toffoli: Antes visto como o "exterminador" da Lava Jato.
- Alexandre de Moraes: Consolidado como o "exterminador" do bolsonarismo.
De acordo com a análise, ambos agora ocupam o centro de um processo que não extermina adversários, mas sim a credibilidade da própria instituição. A reação pública aos vínculos e decisões dos magistrados no caso Master colocou o Supremo em uma posição defensiva inédita, fragilizando a imagem de imparcialidade da Corte.
O Escândalo "Sobe a Rampa"
Se o governo Lula inicialmente observou as dificuldades do Judiciário com um "conforto silencioso", essa postura ruiu. Waack aponta que o escândalo cruzou a fronteira entre os poderes e atingiu o terceiro andar do Planalto, envolvendo:
- Lideranças do governo no Senado.
- O ex-ministro da Justiça (Ricardo Lewandowski).
- Estruturas do Partido dos Trabalhadores.
A análise sugere que a tentativa do presidente Lula de centralizar a gestão do escândalo e se exibir como "capaz de tomar conta" da situação acabou por agravar a crise, vinculando o Executivo diretamente ao imbróglio.
O Retorno do Patrimonialismo
Para Waack, o aspecto mais grave não é a disputa eleitoral por narrativas, mas a exibição crua do patrimonialismo brasileiro. Ele define o fenômeno como o momento em que interesses privados se apoderam de "pedaços do Estado" e transformam a máquina pública em ferramenta para benefícios particulares.
"Isso não é nada novo no sistema político brasileiro, mas hoje dá a sensação de algo nunca antes visto num país que achava ter passado por tudo em matéria de corrupção e cinismo."
O comentário encerra com um alerta sobre a falta de pudor dos agentes públicos, indicando que a crise do Banco Master pode ser o marco de uma erosão institucional mais profunda do que as reveladas em escândalos passados.
