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Publicado: 06 de fevereiro de 2026 às 08:01

Carnaval sob tensão: Damares aciona Justiça contra escola de samba por enredo sobre Lula

Senadora denuncia propaganda eleitoral antecipada e questiona uso de R$ 1 milhão em verba pública pela agremiação Acadêmicos de Niterói.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) oficializou uma denúncia junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói. O motivo da ação é o enredo da agremiação para o Carnaval de 2026, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que narra a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a parlamentar, o desfile configura propaganda eleitoral antecipada e fere a isonomia entre os possíveis candidatos à sucessão presidencial.

No documento, Damares critica o repasse de R$ 1 milhão de verba pública à escola, proveniente de um convênio entre a Embratur e a Liesa. A senadora argumenta que o recurso está sendo utilizado para enaltecer a imagem do atual chefe do Executivo em um ano eleitoral e que o enredo conteria "críticas provocativas" ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros parlamentares, como o deputado Kim Kataguiri (MBL-SP), também entraram com ações populares pedindo a suspensão imediata dos repasses e a devolução dos valores já transferidos.

A Acadêmicos de Niterói, que estreia no Grupo Especial do Rio de Janeiro, pretende contar a história de Lula desde a infância em Pernambuco até seus mandatos como presidente. O desfile já confirmou a participação da primeira-dama, Janja Silva, e da atriz Juliana Baroni, que representará a ex-primeira-dama Marisa Letícia. A agremiação defende o enredo como uma homenagem cultural e histórica a uma figura central da política brasileira, negando qualquer irregularidade eleitoral.

O imbróglio jurídico coloca o Carnaval de 2026 no centro do debate político. Enquanto os técnicos do TCU também avaliam a regularidade do patrocínio, a agremiação segue os preparativos para ser a primeira a desfilar no domingo de Carnaval. A decisão do Ministério Público Eleitoral será determinante para definir se o desfile sofrerá algum tipo de restrição ou se a liberdade de expressão artística das escolas de samba prevalecerá sobre os questionamentos de propaganda política.