CPI do Crime Organizado: Relator pede convocação de familiares de ministros do STF e cúpula do Banco Master
Alessandro Vieira solicita depoimentos de Viviane Barci de Moraes e irmãos de Dias Toffoli; investigação mira suposto tráfico de influência e contratos milionários.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, apresentou requerimentos que prometem elevar a temperatura política no Congresso e no Judiciário. O parlamentar solicitou a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e de dois irmãos do ministro Dias Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli. Além deles, o pedido estende-se ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a outros sócios da instituição financeira.
A ofensiva do relator fundamenta-se em indícios de irregularidades financeiras e possível tráfico de influência. No caso da esposa de Moraes, Vieira cita um contrato de honorários de R$ 129 milhões celebrado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, assinado apenas dois meses antes de uma liquidação do banco pelo Banco Central em 2025. Há suspeitas de que a instituição tenha sido capitalizada com recursos oriundos de fraudes e do tráfico de drogas.
Em relação aos irmãos de Toffoli, a CPI investiga conexões com a gestora Reag Trust (atual CBSF DTVM), que foi alvo de operações contra lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O elo seria a participação em um resort no Paraná, que supostamente abriga um cassino clandestino. O senador também solicitou que o Coaf envie relatórios detalhados sobre as movimentações financeiras das empresas e escritórios envolvidos, buscando rastrear a origem e o destino dos recursos.
Os requerimentos foram protocolados na reabertura do ano legislativo e aguardam votação pela comissão, prevista para o dia 10 de fevereiro. Se aprovadas, as convocações colocarão familiares de membros da Suprema Corte no centro de uma investigação parlamentar sobre crime organizado, um cenário inédito que pode gerar novos conflitos entre os Poderes. A defesa dos citados ainda não se manifestou oficialmente sobre os pedidos, mas o caso já repercute como um dos principais desafios éticos e políticos de 2026.
