Empreendedorismo avança nas favelas: 70% dos donos de negócios não querem voltar ao regime CLT
Pesquisa em oito comunidades do Rio de Janeiro revela que autonomia e proximidade de casa são prioridades; mulheres lideram 60% dos empreendimentos locais
O cenário do mercado de trabalho nas periferias brasileiras está passando por uma transformação profunda. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Acredita em oito favelas do Rio de Janeiro revelou que mais de 70% dos empreendedores que já trabalharam com carteira assinada não têm interesse em retornar ao emprego formal. O estudo, que contou com o apoio da Light e da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa, indica que o negócio próprio deixou de ser apenas uma necessidade para se tornar uma escolha consciente voltada para a qualidade de vida.
Para 85% dos entrevistados, o empreendimento é a única fonte de renda da família. O levantamento destaca ainda o papel fundamental das mulheres, que comandam 60% dos negócios mapeados. Muitas dessas empreendedoras são mães que encontraram na autonomia a possibilidade de conciliar o trabalho com os cuidados familiares, reduzindo o tempo de deslocamento e os custos com transporte.
A economia interna das comunidades também se mostra robusta: 59% dos clientes dos novos negócios são moradores da própria região. Especialistas observam que esse fenômeno fortalece a circulação de renda local e cria uma rede de apoio mútua entre vizinhos. No entanto, o crescimento do setor enfrenta obstáculos estruturais. Segundo a pesquisa, 60% dos empreendedores ainda não possuem um controle financeiro rigoroso e 63% não utilizam linhas de crédito formal.
Para enfrentar esses desafios, iniciativas de capacitação têm ganhado espaço. Programas gratuitos ensinam desde a precificação de produtos até estratégias de marketing digital e uso de redes sociais para vendas. Exemplo disso é a formação recente de mais de 500 profissionais no Rio de Janeiro, que buscam profissionalizar seus salões de beleza, confeitarias e comércios locais.
O movimento reflete um novo paradigma para as políticas de desenvolvimento econômico. De acordo com o Instituto Acredita, o objetivo agora é expandir essas metodologias e integrar ferramentas digitais para fortalecer os negócios nas favelas. O foco é transformar o empreendedorismo de subsistência em empresas sustentáveis, capazes de gerar impacto social real e duradouro nos territórios periféricos.
