Empresa de Toffoli com Capital de R$ 150 e Sede Residencial é Alvo de Investigação
A Maridt Participações S.A., sócia do ministro do STF Dias Toffoli, vendeu participação em resort e agora é citada em conversas obtidas pela Polícia Federal sobre repasses de R$ 20 milhões.
A Maridt Participações S.A., empresa sediada em Marília (SP) e que conta com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, em seu quadro societário, tornou-se o centro de uma série de questionamentos após a divulgação de detalhes sobre sua operação e transações financeiras. Com um capital social declarado de apenas R$ 150, a companhia opera em um endereço residencial e é citada em investigações recentes da Polícia Federal (PF).
1. Estrutura Familiar e Sede em Marília
Fundada em 2020, a Maridt Participações tem como objeto social a participação em outras empresas (holdings) e a transação de imóveis próprios. No registro da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), os nomes que aparecem formalmente são os de José Eugênio Dias Toffoli (irmão do ministro) e Igor Pires Toffoli (sobrinho).
A sede da empresa está localizada na Rua Doutor Zoroastro Gouveia, em uma zona residencial de Marília, correspondendo à residência de José Eugênio. Embora o nome de Dias Toffoli não conste no registro da Junta Comercial, o ministro confirmou, via nota oficial, que integra a sociedade familiar.
2. A Venda do Resort Tayaya
A Maridt manteve participação societária no Resort Tayaya até setembro de 2021. Na ocasião, sua fatia foi vendida ao Fundo Arllen, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Posteriormente, em fevereiro de 2025, o restante da participação foi alienado à PHD Holding.
As transações imobiliárias e societárias da Maridt são o ponto de conexão com as investigações que cercam o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
3. Investigação da PF: Menções a R$ 20 Milhões
O caso ganhou traços mais graves com as perícias realizadas pela Polícia Federal no âmbito de investigações sobre o Banco Master. No celular de Daniel Vorcaro, agentes encontraram menções a pagamentos que totalizariam R$ 20 milhões destinados à empresa do magistrado.
Importante: Até o momento, a Polícia Federal ressalta que não há elementos probatórios suficientes para confirmar se tais transferências foram efetivamente realizadas para o ministro ou para intermediários ligados à empresa.
4. O Posicionamento do Ministro Dias Toffoli
Em nota oficial, o ministro Dias Toffoli defendeu a legalidade da Maridt Participações, destacando os seguintes pontos:
- Legalidade: A empresa é registrada regularmente e declarada anualmente à Receita Federal.
- Lei Orgânica da Magistratura (Loman): Toffoli afirma que a lei permite que magistrados sejam acionistas ou sócios de empresas para receber dividendos, desde que não exerçam funções de administração ou gestão.
- Relação com Vorcaro: O ministro negou amizade íntima com Daniel Vorcaro ou com seu cunhado, Fabiano Zettel, e afirmou desconhecer o gestor do Fundo Arllen.
- Negativa de Recebimento: O magistrado reiterou que jamais recebeu valores dos nomes citados na investigação.
