Governo eleva para até 25% imposto de importação de eletrônicos e máquinas
Medida atinge mais de mil produtos, incluindo smartphones e painéis de LED; Ministério da Fazenda projeta arrecadação extra de R$ 14 bilhões com o novo "tarifaço" doméstico.
Em um movimento focado no ajuste das contas públicas, o governo federal anunciou nesta terça-feira (24/02/2026) uma elevação drástica nas alíquotas de importação de mais de mil itens. O imposto, que em alguns casos chega a 25%, incidirá sobre bens de consumo populares e equipamentos industriais. A Fazenda justifica a medida como uma forma de proteger a indústria nacional contra a concorrência estrangeira "predatória", mas o mercado financeiro aponta o viés puramente fiscal: a expectativa é injetar R$ 14 bilhões nos cofres da União ainda este ano.
Celulares e Eletrônicos no Alvo
Entre os produtos mais afetados estão os smartphones, freezers e painéis de LCD/LED. Analistas alertam que a medida deve encarecer diretamente o preço final para o consumidor, uma vez que o Brasil, embora monte celulares, ainda é altamente dependente da importação de componentes tecnológicos essenciais. Sem uma cadeia produtiva completa de semicondutores, a tarifa acaba funcionando como um aumento de preço generalizado, sem necessariamente estimular a inovação tecnológica interna no curto prazo.
Impacto na Indústria e Bens de Capital
A elevação tributária não poupou o setor produtivo. A lista inclui máquinas e equipamentos fundamentais para a modernização de fábricas brasileiras. Ao encarecer os chamados "bens de capital", o governo impõe um custo adicional às empresas que buscam ampliar sua capacidade de produção ou atualizar suas tecnologias. Importadores e associações industriais manifestaram preocupação com a perda de competitividade global do produto brasileiro e o risco de uma nova pressão inflacionária em 2026.
Contexto Fiscal de 2026
A medida surge no momento em que a equipe econômica de Fernando Haddad busca fontes de receita para cumprir as metas do arcabouço fiscal, pressionado por despesas obrigatórias. O aumento de tarifas de importação é visto como uma alternativa rápida para gerar caixa, mas economistas criticam o caráter arrecadatório disfarçado de política industrial. Para o consumidor, o cenário é de alerta: com o dólar oscilante e as novas taxas, o acesso a tecnologias de ponta deve ficar significativamente mais restrito e caro.
