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Publicado: 27 de fevereiro de 2026 às 09:40

Paquistão declara guerra aberta ao governo Talibã no Afeganistão

Anúncio ocorre após bombardeios atingirem cidades afegãs e marca escalada de tensão na fronteira entre os dois países vizinhos

O governo do Paquistão declarou oficialmente nesta sexta-feira que está em estado de guerra aberta contra a administração do Talibã no Afeganistão. A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, que citou o esgotamento da paciência de Islamabad diante do que classificou como exportação de terrorismo por parte do país vizinho.

O anúncio é o desdobramento mais grave de uma série de confrontos militares recentes. Na quinta-feira, forças paquistanesas realizaram bombardeios aéreos que atingiram a capital afegã, Cabul, além das cidades estratégicas de Kandahar e Paktia. Embora o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, tenha confirmado os ataques e afirmado que não houve vítimas, a ofensiva gerou uma resposta imediata das tropas afegãs ao longo da fronteira de 2.600 quilômetros.

A crise diplomática e militar entre as duas nações vem se intensificando nos últimos dias. O estopim para a escalada atual foram bombardeios realizados pelo Paquistão no último domingo, seguidos por retaliações terrestres do Afeganistão. Para as autoridades paquistanesas, o governo Talibã falhou em conter grupos insurgentes que operam em território afegão e realizam ataques transfronteiriços.

O cenário de instabilidade no sul da Ásia provocou reações imediatas da comunidade internacional. O Irã, que faz fronteira com ambos os países, manifestou preocupação com a segurança regional. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, ofereceu mediação para tentar restabelecer o diálogo entre Islamabad e Cabul e evitar que o conflito atinja proporções ainda maiores.

Especialistas em geopolítica observam que a ruptura definitiva entre os vizinhos altera o equilíbrio de forças na região. Tradicionalmente, o Paquistão mantinha uma relação complexa de influência sobre o grupo que hoje comanda o Afeganistão, mas o aumento das ações de grupos extremistas na fronteira tornou a convivência insustentável para o comando militar paquistanês.

Até o momento, não há relatos oficiais de civis feridos nos bombardeios mais recentes, mas o clima nas regiões fronteiriças é de alerta máximo. Enquanto o Paquistão reforça seu discurso de combate ao terrorismo, o Talibã acusa o país vizinho de violação de soberania, o que deve dificultar qualquer tentativa de cessar-fogo nas próximas horas.