Caso Master: Senadores pedem reforço na segurança de André Mendonça após ameaças de morte
Relator do inquérito no STF, ministro autorizou prisão de Daniel Vorcaro e de "Sicário"; investigação revela plano da organização para agredir jornalistas e autoridades
A escalada de tensão em torno do Caso Banco Master atingiu o gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira (5), os senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Novo-CE) encaminharam um ofício à Polícia Federal (PF) solicitando formalmente o reforço na segurança pessoal do magistrado e de seus familiares.
O pedido de proteção ocorre um dia após Mendonça autorizar a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de seu braço direito, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário". A preocupação dos parlamentares fundamenta-se no "alto poder de intimidação e periculosidade" da organização criminosa investigada, que teria montado um esquema de monitoramento ilegal de autoridades.
Ameaças e Plano de Agressão
Dados extraídos de dispositivos apreendidos pela PF revelaram diálogos estarrecedores. Em uma das mensagens, Vorcaro ordena a "Sicário" que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido em um assalto forjado: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", escreveu o banqueiro.
Além de jornalistas, a rede de espionagem mantida pelo banco monitorava os passos de ministros do STF e de servidores do Banco Central. A situação tornou-se ainda mais dramática com a notícia de que Mourão ("Sicário") atentou contra a própria vida em sua cela na Superintendência da PF em Belo Horizonte logo após a prisão, estando em estado gravíssimo (embora a defesa negue a abertura de protocolo de morte encefálica).
"Blindagem" no STF
Diante das evidências de que Mendonça e sua família poderiam ser os próximos alvos de retaliação, a Polícia Judicial do STF também sugeriu a ampliação da escolta permanente. Relatos indicam que o ministro já tem utilizado colete à prova de balas em agendas públicas, inclusive durante pregações em sua igreja em São Paulo.
Mendonça assumiu a relatoria do caso em fevereiro, após o ministro Dias Toffoli declarar suspeição devido a menções ao seu nome em relatórios da PF. Desde então, o novo relator imprimiu um ritmo acelerado às investigações, autorizando quebras de sigilo de figuras influentes, incluindo Lulinha (filho do presidente Lula) no âmbito de um desdobramento relacionado a fraudes no INSS.
A Polícia Federal ainda avalia a viabilidade do reforço solicitado pelos senadores, mas a cúpula da segurança do STF já trabalha com o nível máximo de alerta para garantir que o relator possa seguir com a instrução do processo sem coações externas.
