Microsoft investe em startup que promete revolucionar chips com litografia atômica
A Lace, da Noruega, utiliza feixes de átomos de hélio para criar circuitos 10 vezes menores que os atuais; tecnologia pode multiplicar potência de processadores de IA.
A Microsoft, por meio de seu braço de capital de risco M12, liderou uma aposta estratégica na startup norueguesa Lace, que desenvolveu uma tecnologia capaz de fabricar semicondutores em escala atômica. A empresa levantou US$ 40 milhões em uma rodada de financiamento para impulsionar um novo método de litografia que substitui o uso de luz por feixes de átomos de hélio. Segundo a Lace, essa abordagem permite desenhar circuitos até 10 vezes menores do que os padrões atuais da indústria, dominada pela holandesa ASML.
Enquanto os sistemas mais avançados de litografia ultravioleta extrema (EUV) utilizam luz com comprimento de onda de 13,5 nanômetros, a ferramenta da Lace opera com um feixe de aproximadamente 0,1 nanômetro — a largura de um único átomo de hidrogênio. Essa precisão "quase inimaginável" permitiria que fabricantes como TSMC e Intel imprimissem wafers com resolução atômica, abrindo caminho para uma nova geração de transistores que poderiam elevar drasticamente o desempenho de supercomputadores e modelos de Inteligência Artificial.
A rodada de investimentos contou também com a participação da Atomico, Linse Capital e Nysnø. A Lace já desenvolveu protótipos funcionais e projeta ter uma ferramenta de teste operando em uma fábrica piloto até 2029. O interesse da Microsoft e de outros investidores globais reflete a corrida tecnológica para encontrar alternativas que superem os limites físicos da litografia baseada em luz, buscando sustentar a evolução da Lei de Moore na era da IA generativa.
Desafio à hegemonia da ASML
A tecnologia da Lace surge como uma das poucas propostas disruptivas que pretendem competir ou complementar o roadmap da ASML. Ao reduzir o tamanho dos componentes em uma ordem de magnitude, a startup norueguesa facilitaria a criação de chips que hoje são considerados impossíveis de fabricar. No entanto, o desafio será escalar essa precisão atômica para uma produção industrial de massa, garantindo a viabilidade comercial e a estabilidade dos circuitos em escalas tão reduzidas.
Para o setor de tecnologia, a aposta da Microsoft sinaliza que o futuro da computação pode depender de saltos fundamentais na física aplicada à fabricação. Se bem-sucedida, a litografia atômica da Lace poderá redefinir as cadeias de suprimento globais e dar aos investidores ocidentais uma nova vantagem competitiva na produção de hardware de ponta para defesa e ciência de dados.
