Giving Pledge: Iniciativa de Buffett e Gates para bilionários doarem fortunas entra em declínio
O projeto, que buscava transformar a filantropia global, enfrenta agora resistência ideológica, queda nas adesões e críticas de figuras como Elon Musk e Peter Thiel.
O Giving Pledge, compromisso criado em 2010 pelos bilionários Warren Buffett e Bill Gates para que os ultrarricos doassem mais da metade de suas fortunas, está perdendo fôlego e enfrentando uma rejeição sem precedentes. Após uma década como símbolo do "capitalismo humanitário", a iniciativa agora lida com o ceticismo do Vale do Silício, a polarização política nos EUA e o surgimento de uma nova mentalidade entre os mais ricos do mundo.
Embora tenha estabelecido uma norma importante — com mais de 250 famílias signatárias, incluindo Mike Bloomberg e MacKenzie Scott —, o ritmo de novas adesões despencou. Nos últimos cinco anos, apenas 43 pessoas assinaram o compromisso, contra 113 no primeiro quinquênio. Em 2024, apenas quatro novos nomes foram adicionados à lista. Além disso, pela primeira vez, um signatário (Brian Armstrong, da Coinbase) retirou formalmente sua assinatura, e outros manifestaram arrependimento público.
Críticas e Mudança de Paradigma
A crise do Giving Pledge reflete uma mudança profunda no espírito da época:
- Filantropia vs. Negócios: Bilionários como Elon Musk e Peter Thiel defendem que o sucesso empresarial é, por si só, a melhor forma de filantropia, gerando empregos e inovação. Musk já afirmou que seus negócios "são filantropia", desprezando o modelo tradicional de doações como "mera peça de relações públicas".
- Ataques Políticos: Figuras ligadas ao governo de Donald Trump descrevem o compromisso como uma "piada" ou um "clube de baby boomers". Thiel tem incentivado ativamente outros bilionários a abandonarem o projeto, classificando-o como ineficiente e burocrático.
- Falta de Fiscalização: Críticos apontam que, por ser um "compromisso moral" sem mecanismos de controle, muitos signatários doam para suas próprias fundações intermediárias ou adiam as doações para após a morte, mantendo seus patrimônios intactos e em crescimento.
- Escândalos Pessoais: A imagem de Bill Gates foi abalada por ligações com Jeffrey Epstein, o que contribuiu para o enfraquecimento da autoridade moral da iniciativa.
O Futuro da Doação Bilionária
Apesar do esvaziamento, casos como o de MacKenzie Scott (que já doou bilhões de forma acelerada) e John Arnold provam que o modelo ainda pode funcionar para alguns. No entanto, o setor sem fins lucrativos enfrenta uma erosão de confiança generalizada. Bilionários mais jovens, como os ligados ao movimento do "altruísmo eficaz", preferem métodos mais diretos e mensuráveis de impacto, distanciando-se do caráter social e glamoroso dos jantares de gala promovidos por Buffett e Gates no passado.
